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Cuidado com o capeta!

Por Fernando Jorge


Como certos teólogos católicos negavam a realidade do diabo, o papa Paulo VI afirmou isto num sermão proferido na Praça de São Pedro, em junho de 1972, após se referir à “entrada de Satanás no templo de Deus”:


“... trata-se de uma potência inimiga, o diabo, este ser misterioso, o inimigo dos homens, que veio minar os frutos do Concílio Ecumênico”.


Paulo VI se referia ao Concílio Vaticano II, do qual participaram, pela primeira vez na história de sua religião, dezoito igrejas não-católicas. Mais tarde, em novembro do mencionado ano, ele garantiu com firmeza:


“A existência e a ação nefasta do demônio são fatos verdadeiros. Satanás - em quem todo cristão deve acreditar, se não deseja comprometer a sua salvação - não é uma fantasia, mas uma criatura verdadeira e real, invisível e tremendamente dinâmica.”


Ele, o diabo, acrescentou o papa, é um ser obscuro e perturbador, “um feiticeiro pérfido e astuto, que se insinua entre nós por meio dos sentidos da fantasia, da concupiscência, da lógica utópica e dos desordenados acordos sociais”.


O cardeal Karol Woityla, nascido na Polônia, eleito papa em 16 de outubro de 1978, recebeu o nome de João Paulo II. São de sua lavra as seguintes afirmações:


“A Igreja ensina que Satã e outros demônios eram bons quando foram criados por Deus, e se tornaram maus pelas suas vontades. Em certos casos o espírito do demônio tenta influir não apenas nas coisas materiais, mas também se apoderar do corpo. É o que chamamos de possessão diabólica”.


Portanto, na época da eletrônica, da cibernética, dos computadores, dos voos espaciais, a Igreja Católica admite a “possessão diabólica”, ou como dizem os franceses, le diable au corps. E teria mesmo de admitir, devido a certos fatos da vida dos santos e de outros religiosos. Vamos evocar alguns desses episódios.


Consoante os hagiógrafos, o diabo, sob a forma de uma jovem negra da Etiópia, completamente nua, vinha sentar-se nos joelhos de São Pacômio. E a São Bento o anjo rebelde apareceu como um pássaro incômodo, que bicou o seu rosto. Debaixo de várias formas, ora como um lobo, ora na pele de um javali, ora como um tigre faminto ou qualquer outro animal selvagem, os demônios tinham o costume de ameaçar o pacífico Santo Antão, soltando bramidos aterradores. Tranquilo, refugiado em Deus, o anacoreta da Tebaida lhes dizia:


-Vê-se o quanto sois débeis, pois vindes em tão grande número para atacar um pobre homem solitário.


E São Cipriano exagerou, no seu temor ao Rabudo, pois ele disse que "as mulheres são demônios que fazem o homem entrar no Inferno pela porta do Paraíso”. No entanto, o Inferno com mulheres é o Paraíso e este sem elas é o Inferno...


Turpin, prelado do século VIII, arcebispo de Reims, contou que certa vez, quando escrevia um sermão, ouviu um rumor estranho, idêntico a altíssimo zumbido de gafanhotos. Ele foi à janela, disposto a acompanhar o alado desfile dos insetos, mas não, em absoluto, o prelado apenas contemplou o voo de milhares e milhares de demônios, que iam assistir aos últimos momentos de Carlos Magno, para ver se conseguiam pegar a alma do rei dos francos... Esses demônios, devido à quantidade, tapavam a luz do dia!


Fernando Jorge é jornalista, escritor, historiador, biógrafo, crítico literário, dicionarista e enciclopedista brasileiro, Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Cale a boca, jornalista!”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.

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