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Covid-19: São Paulo recebe exposição de Totens com Memorial às Vítimas

A cidade de São Paulo recebe nesta segunda-feira (31/08), a edição inaugural da exposição “Totens Urbanos – Memorial Pró-Saúde”, com a instalação de suas primeiras unidades na Av. Paulista, em frente ao Trianon-MASP. Outros 17 pontos da cidade passarão a receber a exposição dos objetos multiuso e multilinguagens ao longo do mês de setembro – permanecendo expostos até o final de novembro.

Através da implantação em série destes totens, o projeto realiza sua intervenção artística na cidade, suportando mensagens voltadas à conscientização sobre a saúde física e mental da população ante a pandemia de Covid-19. Entre os conteúdos estão registros históricos, fotografias e testemunhos sobre a pandemia, seus heróis e suas vítimas.

Foto: Fabiana Nogueira

Os totens multifuncionais vão servir simultaneamente como local de higienização e conscientização, disponibilizando um dispensador de sabão biodegradável e água, ativado por sensor de aproximação. Também serão suportadas informações sobre a importância da permanente higiene e cuidado no manejo de objetos, aspectos preventivos e relacionados à saúde física e mental. Os equipamentos são ambientalmente sustentáveis e inclusivos, sendo que seu design e sistema de higienização foram concebidos para permitir o perfeito encaixe de cadeiras de rodas.

De acordo com os idealizadores, a ideia é que cada equipamento funcione como uma espécie de altar, ou templo hi-tech, onde se realiza a celebração da memória dos mortos da Covid conhecidos ou anônimos.

“Os totens foram concebidos para exercer uma função simbólica. Eles fazem alusão sentimental às perdas de parentes e amigos da população que nem sequer puderam ser velados devidamente”, afirma o arquiteto Leonardo Fernandes Dias, diretor de criação da exposição e autor do projeto arquitetônico original. Com o design dos totens, Fernandes Dias conquistou o prêmio internacional “Coronavírus Design Competition 2020”, na categoria People´s choice, ficando também entre os cinco melhores pela escolha do júri. A competição é uma iniciativa global realizada através da plataforma GoDesignClass. 

Depois desta edição inaugural em São Paulo, a coordenação dos “Totens Urbanos – Memorial Pró Saúde” promete levar o projeto expositivo e educativo para uma série de outros pontos da própria capital e outras cidades, em locais públicos ou mesmo em locais privados, ou ainda geridos por organizações da sociedade civil.

Cada projeto de exposição pode receber diferentes formas de patrocínio e parceria, pública ou privada, e dispor de totens nas suas várias modalidades e configurações. Desde equipamentos com imagens e textos estáticos até aqueles que permitem o uso de Backlights, Smart TVs ou mesmo telas de LED e Sound System embutidos nos dispositivos multilinguagens.

Em sua configuração máxima, prevista para as próximas edições, os equipamentos têm potencial para integrar todos estes recursos multimídia com suporte à aplicação de grafites e diversas linguagens urbanas. Suportam também a inclusão de QRCodes e outros recursos para a prestação de serviços à comunidade, como a medição de temperatura, entre outras possíveis interações físicas e digitais.

Lugares de Ausências

“Totem” deriva da palavra dodaim da cultura Ojibwe (uma civilização aborígene canadense). Trata-se de um “objeto monumental” compreendido como uma junção de símbolos sagrados que representam entidades naturais (animais, plantas, membros da família etc).

Além da intervenção artística urbana por meio de um objeto inédito, ao mesmo tempo de interesse prático e grande utilidade pública emergencial, o conceito dos Totens e da intervenção sustenta-se em três diretrizes: respeito ao passado, com a salvaguarda do direito à memória das vítimas e ao luto mais digno possível dos familiares e amigos; Intervenção no cotidiano presente da cidade, buscando sensibilizar para o direito à saúde com o acesso a informações atualizadas sobre a prevenção da Covid-19; Conscientização acerca do futuro e do mundo pós-pandêmico, a partir do atual flagelo, para que ele não seja somente um fato ou um momento fugaz no limiar do século XXI, mas algo a ser lembrado e que possa ser instrumento de transformações socioculturais que zelem pela intransigente defesa da vida (como bem maior de todos nós), a memória dos que se foram e a solidariedade ativa com quem perdeu entes queridos durante a pandemia.

O conteúdo simbólico que alimenta os objetos do projeto, na sua edição atual, surgiu da iniciativa de uma exposição memorial chamada “Lugares de Ausência” – inspirada no clássico projeto e rede dos “Sítios de Memória” realizado na Argentina sobre a sua ditadura. Trata-se de um estudo para o resgate de memórias das vítimas, realizado pelos historiadores Danilo Cesar e Eliana Trilha Castro junto à psicanalista e paliativista Bruna Tabak.

Os três também compõem a coordenação da Rede Nacional de Apoio às Famílias e Amigos de Vítimas da Covid (www.redeapoiocovid.com.br), uma iniciativa independente e voluntária da sociedade civil que tem buscado, desde o início da pandemia, acolher pessoas enlutadas e colocar à sua disposição, gratuitamente, através de uma ampla rede de profissionais e interdisciplinaridades, um diversificado repertório de possíveis cuidados e amparos na travessia do luto nesses tempos, ainda mais complicado sob o contexto de isolamento social e das diversas restrições por questões sanitárias e epidemiológicas ante a Covid-19.

A ideia de unir esta dimensão subjetiva das perdas pela pandemia a um objeto urbano multilinguagens foi desenvolvida pelo mesmo grupo, contando também com a direção artística de Gabriel Kiss e Amanda Dafoe, a direção e coordenação de produção dos experientes William Zarella Jr. e Anne Andriow, além do imprescindível apoio do historiador Lucas Lara, do Museu da Pessoa; o psicólogo e professor da ECA-USP Márcio Farias (ex-integrante do Museu AfroBrasil); a museóloga Marilia Bonas, do Museu da Língua Portuguesa e do ICOM-Brasil; e a líder comunitária e trabalhadora autônoma Marta Moura, familiar de duas vítimas fatais da pandemia, que também acompanhou o desenvolvimento do conteúdo e tem o seu finado tio, Paulo Moura, como um dos homenageados pela exposição.

“Esta edição expositiva do projeto é dedicada ao gigante Aldir Blanc e, na figura desse mestre -  que além de médico psiquiatra se tornou um dos maiores compositores da nossa história musical, a todas as vítimas fatais durante a pandemia no país. Através dele homenageamos os trabalhadores da saúde e da cultura, entre outras áreas que (re)descobrimos durante esta pandemia serem tão essenciais. Os Totens, que são ao mesmo tempo-espaço uma política de cultura e saúde públicas, representam também um Salve! a todos os lutos e ‘lutas inglórias que, através da nossa história, não esqueceremos jamais”, sintetiza Danilo Cesar, que além de um dos curadores é produtor executivo da exposição.

Na edição atual, a exposição conta também com a consultoria de instituições da área de saúde pública e psicossocial, como a Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) e a Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC).


E ainda com a parceria do projeto Santinho e seu inventário de memórias, idealizado e coordenado pelas psicanalistas Érica Azambuja e Marília Velano, bem como fotografias de Rafael Vilela, da Mídia Ninja, revertendo colaboração não apenas à Rede Apoio Covid, mas também ao projeto Panela Coletiva – iniciativa social que desde o início da pandemia tem buscado distribuir máscaras, produtos de higiene, além de refeições em áreas mais vulneráveis da cidade.


Serviço:

EXPOSIÇÃO “TOTENS URBANOS – MEMORIAL PRÓ-SAÚDE” (edição inaugural, SP, Ago/2020)

Datas: de 31 de Agosto a 30 de Novembro

Locais: 17 Pontos da Capital Paulista (ver abaixo)

Visitação e Interação: Franca e Gratuita

Classificação Etária: Livre

Realização: Cidade de São Paulo (SMC e PMSP)


Responsável pelo Projeto Arquitetônico e Diretor de Criação: Leonardo Fernandes Dias

Curadoria Histórica e Psicossocial: Danilo Cesar, Elisiana Trilha Castro e Bruna Tabak

Direção de Arte: Gabriel Kiss e Amanda Dafoe

Direção e Coordenação de Produção: William Zarella Jr. e Anne Andriow

Consultoria de Conteúdo Expográfico: Lucas Lara, Marcio Farias, Marília Bonas e Marta Moura

Coprodução: Elástica Cenografia, Lado Arquitetura, Instituto Encontro das Águas e Museu da Pessoa

Parcerias: ABEC, ABRAPSO, SPDM, Mídia Ninja, Panela Coletiva, Rede Apoio Covid e Santinho

Mais Informações: www.totemprosaude.com

LOCAIS DAS INSTALAÇÕES DOS 20 TOTENS NA CIDADE:

Ponto 1 - Av. Paulista (altura do MASP, na calçada oposta, em frente ao Pq. Trianon) – partir de 31/8

*Conjunto Expositivo de 4 Totens, com homenagem especial ao Aldir Blanc e a Paulo Moura

Ponto 2 - Praça da Sé (altura da Barão de Paranapiacaba) – a partir de 01/09

Ponto 3 - Praça do Patriarca (Centro) – a partir de 01/09

Ponto 4 - Viaduto do Chá (próximo à Prefeitura de SP) – a partir de 01/09

Ponto 5 – Av. São João x Ipiranga  (Centro) – a partir de 03/09

Ponto 6 - Biblioteca Mário de Andrade (área externa) – a partir de 03/09

Ponto 7 - Largo da Batata (ZO)

Ponto 8 - CCSP - Centro Cultural São Paulo (área externa)

Ponto 9 - CCJ - Centro Cultural da Juventude  (área externa) - ZN

Ponto 10 - Largo da Matriz, em frente à Casa de Cultura Freguesia do Ó “Salvador Ligabue” - ZN

Ponto 11 - Av dos Metalúrgicos altura do número 165 (Cidade Tiradentes - ZL)

Ponto 12 - Praça Brasil (Itaquera) -  Av. Nagib Farah Maluf, s/n - Conj. Res. José Bonifácio  - ZL

Ponto 13 - Centro Cultural Grajaú (área externa) - ZS

Ponto 14 - Av Dona Belmira Marin, número 165 (imediações Term. Grajaú - ZS)

Ponto 15 - Largo Treze de Maio (Santo Amaro - ZS)

Ponto 16 - Praça do Campo Limpo (ZS)

Ponto 17 - Terminal Lapa (ZO)

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