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Fake news derruba governo

Por Heródoto Barbeiro

Crédito: Freepik

A manchete estampada na primeira página não deixa dúvida: há um complô para derrubar o governo e conturbar a democracia. O Brasil vive sob a égide de uma nova Constituição, que, teoricamente, garante todos os direitos dos cidadãos. Entre eles a liberdade de reunião e expressão. Porém, põe limites contra os que atentam contra o jogo democrático, especialmente o respeito à alternância de partidos no poder. Ela sucede um período de ditadura e é a esperança dos que acreditam que as ameaças contra a democracia terminaram. Os partidos políticos se organizam para ocupar os espaços em todo o país com a escolha de prefeitos, governadores e presidente da República. O voto secreto é uma garantia constitucional de que a liberdade do eleitor é respeitada e não há qualquer apoio para a violação das urnas eleitorais. A justiça eleitoral é a fiscalizadora da eleição e para isso tem sua estrutura espalhada por todo o país.


A polarização política e ideológica é uma característica dos novos tempos. Liberais e conservadores de um lado e socialistas e comunistas de outro. Economia liberal e capitalista ou economia socialista planificada. Luta de classe que antepõe de um lado banqueiros, industriais e latifundiários e de outro, operários e camponeses. Há, segundo os analistas, uma clara luta de classes e a função do Estado é intermediar o conflito dentro das regras constitucionais. Contudo há acusações de parte a parte de que o adversário está tramando derrubar o governo e implantar uma ditadura ou do proletariado ou dos rentistas. O choque entre nações capitalistas e economistas alimenta a geopolítica e há um risco enorme de um conflito mundial que todos sabem como começa, mas ninguém sabe como termina. A flacidez das fronteiras entre as nações europeias alimenta as ameaças de invasões e anexações pela força das armas. Russos e alemães lideram essa disputa. Os militares estão atentos contra o que consideram uma tentativa subversiva de derrubar o capitalismo e implantar o comunismo no Brasil.


O presidente é um representante da direita conservadora e defende abertamente a continuidade do mandato dele, uma vez que pode se repetir a tentativa de a esquerda tomar o poder, como aconteceu recentemente no Nordeste e na capital do país. Levantes de militares esquerdistas no Rio de Janeiro foram contidos. As notícias da Europa mostram que governos fascistas e comunistas se instalam em boa parte do continente e implantam uma ditadura. Há um temor de que a Internacional Socialista apoie uma revolução no Brasil, que se inicia com a derrubada do governo e a suspensão das eleições. O estopim é a publicação, no Correio da Manhã, na edição de 1º de outubro de 1937, de “um tenebroso plano apreendido pelo Estado-Maior do Exército”. O Plano Cohen. Há movimentos de forças militares contra o que se entende um ataque à democracia, à civilização cristã e ao direito à propriedade. O presidente em exercício se põe à disposição da nação brasileira para impedir ardilosa trama subvencionada pela Rússia comunista. Getúlio Vargas, com apoio dos generais Dutra e Góis Monteiro, dá um golpe e implanta, mais uma vez, uma ditadura. Inicia-se o Estado Novo que sobrevive até o final da Segunda Guerra mundial. Em tempo: o plano foi forjado pelos militares.


Heródoto Barbeiro é jornalista do R7, Record News e da Nova Brasil FM. Também é professor, Mestre em História pela USP e advogado pela FMU. Já passou pela TV Cultura, pela CBN e pela Globo. Você pode ver mais em www.herodoto.com.br

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