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Dicas para adolescentes se exercitarem mais

A pandemia deixou os jovens mais sedentários. Estimulá-los a fazer atividades físicas que eles gostem é fundamental – mas sem pressão

As tentações para os adolescentes ficarem em casa, em frente ao celular, tela de computador ou games são inúmeras – especialmente durante a pandemia. O isolamento na idade é normal, e mais um fator que colabora com o sedentarismo. Entretanto, é possível vencer tudo isso e fazer com que a atividade física faça parte da rotina de meninos e meninas nessa faixa etária. Segundo define o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência vai de 12 a 18 anos.


Eryka Munhoz, hebiatra (médica especialista em adolescentes) do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, da Rede D’Or São Luiz. esclarece que a atividade física é importante em todas as fases de desenvolvimento. Segundo ela, os adolescentes tendem a ser mais sedentários por questões próprias da idade – vergonha do corpo, timidez, propensão ao isolamento. Com a pandemia, diz a médica, o sedentarismo nessa faixa etária cresceu, pois nem às aulas de Educação Física da escola eles tinham acesso.


‘Vejo aumento de peso em pacientes que, em geral, são magros. Alguns, inclusive, estão se recusando a voltar para as aulas presenciais. Isso é muito prejudicial”, diz.


De acordo com a médica, de maneira geral, não há exercícios que sejam contraindicados aos adolescentes. Mesmo aqueles de força, como a musculação, que, no passado, era condenada por supostamente prejudicar o crescimento. “A musculação já é bastante comum nessa idade. É saudável praticar exercícios de força, o que eles precisam, na verdade, é do acompanhamento de um profissional para que sejam bem orientados a fim de evitar lesões musculares ou articulares”, explica.


É importante lembrar que o adolescente tem disponível uma série de atividades físicas além da musculação, desde as mais comuns, oferecidas por escolas e clubes, como futebol, basquete, vôlei, handebol e natação, até escalada, tênis e skate.


A psicóloga e psicoterapeuta corporal Juliana Fita afirma que se os filhos não tiverem o exemplo de pais ou responsáveis como pessoas ativas, interessadas em cuidar da saúde, é muito provável que o adolescente não se sinta motivado a praticar uma atividade física. “Os pais devem conversar sobre o assunto e, sobretudo, estar de faro com os filhos. Eles podem começar com ações simples, como levá-los ao parque nos fins de semana, convidar para um passeio a pé com o animal de estimação”, explica Juliana, que também é educadora física.


Ela sugere outras atividades que não são necessariamente um esporte, mas que fazem com que os adolescentes se movimentem, como brincadeiras no condomínio, teatro e dança. Segundo Juliana, o quanto antes eles se sentirem motivados a uma prática esportiva, melhor – e isso aumenta a probabilidade de eles se tornarem adultos ativos. “A adolescência é uma idade fronteiriça. É preciso muita conversa e um olhar constante dos pais para engajar os filhos em uma atividade”, diz.


Tudo isso deve ser feito de forma atenciosa e delicada. Ligar a atividade física a padrões estéticos não é o melhor caminho. Isso tira o prazer e o entendimento de que ela traz benefícios, além de poder causar distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia. Ao adolescente, a dica é tentar descobrir a atividade que ele gosta e o que é possível fazer dentro de sua rotina. Pais e professores também devem auxiliá-lo na organização de horários e tarefas. Dessa forma, o exercício se toma um hábito.


Dicas para implementar exercícios físicos na rotina dos adolescentes

• Observe a rotina. Eles sempre terão um tempo ocioso

• Um passeio com o cachorro pode ser um primeiro passo

• A educação física na escola é importante. Não ajude seu filho a fugir dela

• O adolescente pode testar diversas atividades físicas até encontrar a preferida

• A escolha pode e deve ser debatida com os pais ou seus responsáveis, mas jamais uma imposição

• O exercício precisa ser prazeroso

• Treinar coletivamente pode ser incentivador, apesar dos desafios da idade

• Pequenas metas diárias ou semanais são mais importantes do que um plano de longo prazo, que pode ser fonte de frustações