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Corinthians vive entre o sonho e a realidade

Por Roberto Maia


A segunda colocação no Campeonato Brasileiro e estar disputando as quartas de final da Copa do Brasil e a Libertadores, além das contratações de Yuri Alberto e Fausto Vera levou os torcedores do Corinthians a acreditarem em reais chances de títulos em 2022.


Mas para atrapalhar o sonho sempre existe a realidade. Em duas semanas, o Timão sofreu duas derrotas doídas – para o Athletico-PR (2 a 0) na Copa do Brasil e Flamengo (2 a 0) na Libertadores. Os torcedores corinthianos, claro, continuam a sonhar e a acreditar em viradas épicas. E eu não seria louco de dizer que é impossível. Já vi de tudo no futebol e sei que podem acontecer.


Mas aí entra novamente a realidade. O Corinthians começou o ano com o treinador Sylvinho, que classificou o time para a Libertadores deste ano. O elenco era praticamente o mesmo que terminou 2021. Mas havia motivos para a esperança em dias melhores. Afinal, nomes importantes com Willian, Giuliano, Roger Guedes, Renato Augusto e Paulinho haviam sido contratados.


No Paulistão o Timão não empolgou mas chegou à semifinal, quando foi desclassificado pelo São Paulo. Em um jogo contra o Santos, a Fiel perdeu a paciência e pediu em coro a cabeça do treinador ao final da partida realizada na Neo Química Arena. E o presidente Duílio Monteiro Alves resolveu atender o pedido da galera.

Fernando Lázaro, filho de Zé Maria, um dos maiores ídolos da história do Corinthians, assumiu interinamente. Ele é o responsável pelo Centro de Inteligência no Futebol (Cifut) que realiza a análise de desempenho dos jogadores. O time até que reagiu bem sob o seu comando. Porém, ele deixou o cargo com a chegada do treinador português Vitor Pereira e sua equipe.


Vitor Pereira logo que chegou já avisou que o elenco com vários jogadores com mais de 30 anos não teria fôlego para aguentar três competições simultâneas, jogando em um esquema tático de velocidade e força defensiva. Ele também criticou o calendário do futebol brasileiro que obriga o time a jogar até três vezes em algumas semanas.

O Corinthians jogou de igual para igual com o Flamengo até o golaço de Arrascaeta, depois foi completamente dominado. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

VP deu início então a um rodizio de jogadores entre os jogos. Algo comum na Europa, mas pouco visto no Brasil. Os torcedores não aceitaram bem isso porque queriam ver em campo todos os medalhões jogando juntos. Ele recorreu aos jovens da base e com o tempo e bons resultados sua mensagem parece ter sido entendida.


Após a heroica vitória nos pênaltis sobre o Boca Juniors em La Bombonera, Vitor Pereira caiu nas graças da Fiel. Afinal, o sonho estava se materializando.


Porém, uma série de contusões tirou de campo jogadores como Paulinho, Renato Augusto. Willian, Fagner, Maycon, Gustavo Mosquito e até Cássio. O treinador teve que recorrer novamente aos “miúdos” e praticamente nunca conseguiu repetir escalações. E justamente em momentos decisivos.


Após a derrota para o Flamengo na terça-feira, em Itaquera, muitos já contestam as escolhas e o esquema tático de Vitor Pereira. Outros acham que ele escalou o time errado. E há os que culpam os jogadores por não terem demonstrado em campo a raça de outros tempos.


Mas, a realidade é que os resultados são frutos de um planejamento que começou errado. De contratações equivocadas e outras tardias. De falta de entrosamento e de datas livres para treinamentos. Exemplo disso foi a contratação de Fausto Vera que chegou e logo foi colocado para jogar sem conhecer direito seus companheiros e a forma de jogar do treinador.


No horizonte alvinegro virão dias complicados pela frente. Dependendo dos resultados, treinador e jogadores podem ir para o céu ou para o inferno.

Sonhando alto, a torcida corinthiana lotou a Neo Química Arena para empurrar o time contra o Flamengo. (Foto: Tino Simões)

Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.