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O show não pode parar e o Brasileirão começa com muitos casos de Covid-19

Por Roberto Maia


O futebol voltou no Brasil apesar do número de infectados, internados e mortos pelo coronavírus continuar altíssimo. Já são mais de 3,2 milhões de casos confirmados com mais de 105 mil óbitos. E segue o jogo porque o espetáculo não pode parar.


Após o complemento dos campeonatos estaduais teve início no último final de semana o Brasileirão 2020. Jogos realizados em estádios sem presença de torcedores, protocolos de segurança para jogadores e envolvidos na partida, um minuto de silêncio em respeito às vítimas da Covid-19 e um deprimente som de torcedores em festa nos alto-falantes. Nas transmissões da TV um show dos narradores tentando colocar emoção e vibração em jogos ruins. Tudo muito deprimente!

Palmeiras implantou drive-thru para realizar testes para covid-19 entre os atletas (Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras)

Assim, nesse cenário triste e desolador, o Campeonato Brasileiro de 2020 seguirá com suas 38 rodadas até o final de fevereiro de 2021, quando conheceremos o time campeão.


Mas as coisas não começaram muito bem. Logo na primeira rodada o jogo entre o Goiás e o São Paulo teve que ser adiado porque 11 jogadores do time goiano apresentaram resultados positivos no teste para Covid-19. Nas séries B e C outros tantos contaminados. No total, mais de 50 atletas testaram positivo. Entre os árbitros há informações de que existe ao menos um caso de coronavírus confirmado.

No Corinthians, o zagueiro Gil e o atacante Léo Natel, que disputaram a final do Paulistão no sábado contra o Palmeiras, testaram positivo e foram afastados do jogo contra o Atlético-MG na quarta-feira.

O zagueiro Gil testou positivo e foi afastado do jogo contra o Atlético-MG (Foto: Rodrigo Coca/ Agência Corinthians)

E dentro de quadro de absurdos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda autorizou o Atlético-GO a utilizar no jogo contra o Flamengo, quatro jogadores do seu elenco que tiveram teste positivo de coronavírus. O argumento é que eles testaram positivo há mais de 10 dias, permaneceram assintomáticos e por isso não apresentam risco de transmissão. Mas por que não disseram isso antes do campeonato começar?


Para acalmar os ânimos, a CBF anunciou uma mudança no protocolo de testagem. A novidade implica no aumento do número de testes realizados entre os jogadores inscritos na competição. Agora, eles serão testados a cada rodada, com 72 horas de antecedência dos jogos. Os resultados são enviados à CBF até 24h antes da partida pelo clube mandante e até 12h antes da viagem pelo clube visitante.


Responsável pelo protocolo nacional da CBF, o experiente neurocirurgião Jorge Pagura trabalha há meses na elaboração do protocolo de segurança. Junto com ele uma equipe de consultores médicos e epidemiologistas. Segundo Pagura, esse time de “pesos pesados” procura garantir a volta do futebol com toda a segurança possível. “Nossa responsabilidade na execução do plano é muito grande”, disse recentemente.

CBF autoriza quatro jogadores do Atlético-GO para enfrentar o Flamengo, apesar de terem testado positivo (Foto: Reprodução Twitter ACG)

Já o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, descartou a paralisação do Brasileirão apesar dos muitos casos de contaminações de atletas verificado logo no início da competição."Em nenhum momento passou por nós qualquer perspectiva de paralisação. Neste momento, não nos parece relevante. Não é o suficiente para pensarmos em um plano B, como encurtamento do campeonato, redução das 38 rodadas ou mover todos os clubes para um só local, como outros países fizeram", garantiu.


Segundo Feldman, a manutenção do Campeonato Brasileiro com 38 rodadas é um pedido dos próprios clubes, que temem por sua saúde financeira. "A situação dos clubes é muito difícil. Se o campeonato tiver as 38 rodadas, isso dará fôlego para que eles possam superar um ano tão difícil", argumentou, ressaltando, porém, que “a saúde deve sempre estar em primeiro lugar”.


Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.

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