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  • Roberto Maia

A noite em que o Corinthians eliminou o Boca em La Bombonera

Por Tabatha Maia


Foi uma semana de um jogo para o outro. Uma semana de apreensão para a torcida corinthiana e opiniões de que o Corinthians não tinha chance alguma de passar pelo Boca Juniors, em La Bombonera, e seguir às quartas de final da Libertadores.


Claro que o primeiro jogo, na Neo Química Arena, não foi dos melhores, mas pelo menos o Timão conseguimos garantir o empate sem gols, mesmo após o pênalti desperdiçado por Roger Guedes.

A Fiel Torcida como já era de se esperar fez a sua parte, colocando 45 mil torcedores em Itaquera e outros 2,5 mil bravos guerreiros em Buenos Aires.


Durante essa semana, ouvi a opinião de um jornalista esportivo que me chamou muita atenção, e de certa forma me deixou revoltada, até porque ler, como corintiana apaixonada que sou, que meu time não deveria sequer viajar para evitar uma humilhação. Ouvir uma bobagem dessas me deixou sem palavras. De verdade mesmo! O Corinthians pode até não ter um elenco de craques e não estar apresentando um futebol primoroso, mas, nunca, eu disse NUNCA, deve ser deve ser menosprezado nesse nível. Queria ver a cara dele hoje!


O jogo de terça-feira foi épico. Tal como foi há 10 anos atrás aquele 4 de julho inesquecível quando o Timão conquistou a América. Apesas da fé incondicional do corinthianos, a crítica insistia em colocar como muito improvável a vitória do Corinthians. Enquetes apontavam a vitória do Boca Juniors, eu até tentei entender essas pessoas, mas como corinthiana não aceitava essa possibilidade. E, como sempre, o amor falou mais alto, bem mais alto!

Cássio e Gil foram os heróis corinthianos na noite épica em que o Corinthians eliminou o Boca Juniors em La Bombonera. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Também entendi que nenhum outro time brasileiro, além do Santos de Pelé em 1963, tinha desclassificado o Boca em um jogo de Libertadores no caldeirão de La Bombonera. Sim, os xeineses eram favoritos. Mas não imbatíveis!


Os dias que antecederam o jogo foram de muita apreensão. O Corinthians viajou para Buenos Aires desfalcado. O Timão tinha 10 jogadores lesionado. Nunca vi isso na minha vida. Fagner, como você faz falta. E o William, que carregou o time no último duelo e até tentou continuar no jogo após ter deslocado o ombro. Mas, mesmo sentindo muitas dores embarcou com a equipe e se colocou à disposição e se fosse preciso iria para o sacrifício. Até o Paulinho, que se recupera da cirurgia que reconstruiu os ligamentos do joelho, esteve presente junto com a deleção dando força aos jovens que tiveram que assumir a responsabilidade de honrar a camisa corinthiana. É isso, para jogar no Corinthians tem que ter acima de tudo amor e respeito à camisa.

Admito que o primeiro tempo foi bem feinho, muitos passes errados, o Corinthians não conseguia chegar no ataque. Foram 11 finalizações do Boca contra apenas uma do Corinthians. O Alvinegro foi dominado e muito pressionado em um estádio com quase 50 mil torcedores do time rival. Mas os corintianos estavam lá presentes e não pararam de empurrar o time em nenhum instante. Aqui no Brasil a Fiel estabeleceu uma corrente de fé e esperança que estava no coração de todos.


A energia estava tão forte que pode ter afetado o Darío Benedetto, que chutou na trave um pênalti ainda no primeiro tempo. Se isso é possível não sei, mas a noite definitivamente não era dele. O sucesso da noite fria da capital argentina estava reservado para outra pessoa, que atende pelo nome de Cássio Roberto Ramos, ou apenas Cássio. O maior goleiro da história do Corinthians, sem sombra de dúvidas.


O goleiro que foi muito questionado no início do ano e até ameaça por alguns idiotas, foi o grande responsável por segurar o empate. Fez importantes defesas e como líder do time e capitão, deu puxões de orelha nos colegas para manterem a concentração em campo. O Gigante entrou em campo com amor e segurança. Sem medo da pressão dos torcedores do Boca e sem pensar no favoritismo do rival. Jogou como se estivesse em Itaquera ou no Pacaembu há 10 anos atrás. E fez a alegria de milhões de corintianos.


Nas cobranças de pênaltis fez duas defesas extraordinárias. E, como não poderia ser diferente, foi apontado pela crítica e internautas nas mídias sociais como o melhor jogador do Corinthians no jogo. Já o Benedetto não teve a mesma sorte e está sendo apontado como o grande vilão e responsável pela desclassificação do Boca. Até a página oficial do Timão fez uma montagem colocando o jogador como sócio da Gaviões da Fiel, principal torcida do time.


Voltando ao início do texto, lembram do jornalista esportivo que citei lá no começo? Então, ele não comentou sobre a bobagem que disse, mas colocou o centroavante do Boca como o grande herói corinthiano no jogo. Bobinho, não sabe o que é o Corinthians!

Considerado por muitos como o maior goleiro da história do Corinthians, Cássio defendeu dois pênaltis e colocou o Timão nas quartas de final da Libertadores. (Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)

A coluna desta semana foi, excepcionalmente, de autoria de Tabatha Maia, que é jornalista na área de entretenimento, corinthiana apaixonada e colaboradora do portal travelpedia.com.br.


Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.