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Vidas ceifadas e planos interrompidos

Por Coronel Camilo


Nasceu anteontem, terça-feira, o pequeno Samuel Victor. Ele veio ao mundo três dias após a morte de seu pai, o soldado da PM Victor Rodrigues da Silva, de 27 anos, baleado às vésperas do Dia dos Pais durante uma abordagem na zona oeste da capital, bairro Rio Pequeno. 


A dor da perda para os familiares e amigos é certamente indescritível. Em meio ao sofrimento, a criança, muito sadia, chegou para confortar o coração de todos e, futuramente, sentirá orgulho ao conhecer a história do pai, um herói da Corporação e defensor da sociedade paulista.


Assim como o pequeno Samuel, mais dois bebês estão prestes a nascer, mas também não irão conhecer o pai. Isso porque também perdeu a vida o sargento José Valdir de Oliveira Junior, de 37 anos, que já tinha uma menina e estava com a esposa grávida de gêmeos. Eles estavam felizes e ansiosos com a ampliação da família, um planejamento ceifado.


O soldado Celso Ferreira Menezes Junior, de 33 anos, foi mais um alvo do atirador, chamado Cauê de Assis, que chegou a se apresentar à equipe como policial. Ele foi atingido na troca de tiros e morreu. Naquela madrugada, os três PMs pararam patrulhavam pela avenida e viram um carro, VW Fox, com dois homens, um deles Cauê. O veículo estava perto de uma moto na Avenida Escola Politécnica. 


Ao checarem a documentação e o armamento apresentados pelo suposto policial, foram atacados covardemente por ele, que escondia no carro uma segunda arma. Carreiras e sonhos brutalmente interrompidos. A PM está de luto. O policial é movido por um sentimento de missão, trabalha incansavelmente em busca de um objetivo, de forma abnegada, ainda que tenha pouco reconhecimento da sociedade. O que não podemos esquecer, jamais, é que o policial que está nas ruas, na ponta da linha veio da sociedade, tem os mesmos sentimentos e anseios encontrados nas outras pessoas.


Quando fui Comandante-Geral da PM, de 2009 a 2012 infelizmente entreguei muitas bandeiras para os familiares de policiais militares que foram mortos em serviço e enterrados no Mausoléu da Polícia Militar, localizado no Cemitério do Araçá. É lá que ficam os PMs que são mortos no cumprimento do dever. Não é fácil ser um policial. Todos assumem a atividades, sob juramento, de enfrentar o perigo com o sacrifício da própria vida. Todo dia nos despedimos das nossas famílias sem saber se iremos retornar.   


O sargento José Valdir de Oliveira Junior estava na Corporação havia 14 anos, O soldado Victor Rodrigues Pinto da Silva estava trabalhando há 7 anos. Já o soldado Celso Ferreira Menezes Junior integrava as fileiras da Corporação há dez anos. Uma grande perda para os que ficam, para a família policial militar e para a sociedade.


Coronel Camilo é secretário-executivo da Polícia Militar. É formado em Administração de empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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