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Um conselho de mãe pode ser decisivo no destino da filha

Por Fernando Jorge

Imagem: Freepik

Devido ao meu romance autobiográfico Eu amo os dois, lançado pela editora Novo Século e cuja primeira edição já está quase no fim, eu tenho recebido dezenas de cartas impressionantes. Uma dessas cartas me deixou surpreso, para não dizer chocado. Vou reproduzir um trecho dessa carta.


“Prezado escritor Fernando Jorge, no romance Eu amo os dois o senhor conta que namorou uma jovem que o amava e também amava um primo. A moça namorava os dois, o senhor e ele, porque a mãe lhe dizia, desde a época em que ela estava com apenas cinco anos de idade: minha filha, namore sempre dois rapazes, pois se um escapar, você ficará garantida com o outro. A mãe da amada do senhor, prezado escritor, dava o mesmo conselho que a minha tia dava a filha, moça sensível, delicada, moça muito bonita, mas capaz de chorar facilmente.”


Em seguida o autor da carta diz que a sua prima, sob a forte influência do incessante conselho da mãe, acabou gostando de dois rapazes, e de modo sincero, verdadeiro. Os dois ignoravam o fato e ambos, quando tomaram conhecimento desse amor duplo, singular, afastaram-se, chamando a jovem de leviana, de criatura falsa, hipócrita, traiçoeira como o Judas da Bíblia. E o meu leitor acrescentou na carta:


“O senhor conta, no seu romance autobiográfico que após abandonar Elza, sua amada, por ter seguido o mesmo conselho da minha tia, ela, sua amada, morreu de tristeza, de saudade. A minha prima, não aguentando a dor, suicidou-se. E a minha tia, devorada pelo remorso de haver dado aquele conselho, chorava todos os dias, não se alimentava, morreu de desgosto.”


Concluo esta crônica apenas dizendo: mães, não se precipitem, tomem cuidado, antes de dar conselhos às suas filhas, raciocinem, pensem bem, conselhos de mães são como mudas de plantas boas ou más..


Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.

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