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Sou uma fera, um bruto cheio de ódio?

Por Fernando Jorge

Crédito: Freepik

Sou isento de paixão política, a minha cabeça é fria como uma barra de gelo, embora o meu coração seja quente como o fogo. Costumo dizer:

– O fogo do meu coração não derrete o gelo do meu cérebro. E por ser assim me tornei muito perigoso como escritor e jornalista, tão perigoso como o Heródoto Barbeiro, que nos seus textos admiráveis só tem mostrado a verdade sobre a absurda, a estúpida guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Detesto, sinto nojo, desprezo totalmente. Eis o que sinto ao ver pessoas incapazes de se definirem, de tomar uma posição. Nunca me venham com essa história de que devemos aceitar tudo, não reagir diante do erro, da injustiça e do crime. Quem abaixa a cabeça em frente dessas três coisas, e as aceita, viola os dez mandamentos da Lei de Deus, entre os quais cito estes dois: não roubar e não matar.

Argumento, se devemos aceitar tudo, então é correto aplaudir o erro, a calunia, o roubo, o assassinato.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, D. Pedro I errou, ao proclamar a independência do Brasil em 7 de setembro de 1822.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, então a princesa Isabel, filha de D. Pedro II, não devia ter assinado a Lei Aurea, que libertou os escravos do Brasil, no ano de 1888.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, então devemos aceitar o Holocausto, o massacre e o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, então Deus não devia ter destruído pelo fogo, segundo a Bíblia, as cidades do pecado, Sodoma e Gomorra.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, então Jesus Cristo, conforme narra a Bíblia, não deveria ter erguido um chicote para expulsar os mercadores que para ganhar dinheiro, invadiram a casa do seu pai, Deus.

Argumento, se a tolerância deve ser absoluta, então eu não devia ter escrito nada do que escrevi aqui, nada, merecendo que me chamem de fera, de bruto cheio de ódio, sedento de sangue...



Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.

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