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Quem disse que a pandemia não trouxe nada de bom?

Por Paulo Panayotis


São Paulo-SP. E não é que a pandemia trouxe algo de bom para o mundo? Não acredita? Vamos meu amigo, é hora de ser otimista, apesar dos nossos governantes. Cidades que tem no turismo boa parte de sua fonte de renda, como Veneza e Barcelona, já fazem planos e se preparam para a volta dos euros, digo, dos turistas. Mas com uma diferença fundamental: todos, por conta dos longos períodos de reflexão durante a pandemia, se organizam para que o retorno dos viajantes aconteça de forma mais sustentável.

Transatlântico ancorado em Veneza, Itália (Imagem: 123RF)

Água cristalina em Veneza Milagre? Não! Sem milhares de turistas invadindo dia após dia o centro histórico, a cidade se recuperou durante os meses de lockdown. Sem navios de cruzeiro, despejando óleo, lixo e outras “cosítas más”, as águas clarearam e voltaram a ficar limpas. Algo que não ocorre há mais de seis décadas! Isso mesmo, há mais de sessenta anos! Até peixes e golfinhos voltaram a ser vistos nos canais por moradores que, durante todo esse período, tiveram o privilégio de caminhar pela cidade. No entanto, ficou clara também a dependência de Veneza do turismo, que rendia aos cofres públicos e privados nada mais nada menos que quase três bilhões de euros anuais. Assim, um plano de sustentabilidade parado há anos nas gavetas dos políticos, deve finalmente sair do papel. A partir de 2022, quem visitar a aprazível Veneza terá que pagar uma taxa diária de acordo com a lotação da cidade. Desta forma, que estiver hospedado por lá não pagará tal taxa. A ideia é evitar que milhares de turistas continuem sendo despejados pelos enormes transatlânticos que atracam a poucos metros da cidade histórica, entopem museus e outros pontos turísticos e vão embora deixando lixo, sujeira e praticamente nada de dinheiro. Essa é apenas uma das medidas. Vamos torcer para que vire realidade.

Bairro da luz vermelha, em Amsterdã̃, Holanda

Em Amsterdã, medidas controvertidas porém ecológicas Prostitutas posando em janelas coloridas e fazendo shows alguns dos principais motivos de boa parte dos turistas que visitam a capital holandesa. Uma grande briga judicial entre autoridades e o setor de turismo, tenta colocar “ordem no barraco”. Já imaginou, por conta da música alta e do barulho, não conseguir dormir e, ainda por cima, no dia seguinte se deparar com montanhas de lixo e desviar de poças de xixi? Pois os moradores do bairro da luz vermelha, como é conhecida a região, somente se deram conta disso quando os turistas desapareceram com a pandemia. Agora, eles exigem que as autoridades mantenham grande parte dos “turistas sexuais” longe de suas casas. Tarefa difícil pois imagine a montanha de dinheiro que os 22 milhões de viajantes deixaram por lá no ano anterior à pandemia? Enfim, um problema saudável para diminuir lixo e tornar a cidade mais sustentável. Os moradores agradecem.

Raposa vermelha em Canary Warf, Londres

No Reino Unido, o primeiro dia sem mortes por covid-19 Nesta terça feira, dia primeiro de junho, o governo britânico anunciou que não houve nenhum registro de mortes em 24 horas na Inglaterra. Há dez meses isso não ocorria! É um dos países com maior número de pessoas vacinadas: mais de 75% da população adulta já ganharam as duas doses. Pássaros raros, pequenos animais e até raposas vermelhas foram frequentemente vistos passeando tranquilamente por bosques, parques e até em ruas residenciais de grandes cidades como Londres. A natureza agradece.

Igreja da Sagrada Família, Barcelona, Espanha

Países como Espanha, Itália, Reino Unidos e Grécia, entre outros, já se preparam para, em breve, receber turistas de volta. Vai ser mais caro? Seguramente. Mas há um preço para preservar a natureza para as futuras gerações, concorda? Afinal, há estimativas que seremos dez bilhões de habitantes em 2050. Não há planeta que aguente. E o Brasil? Ah o Brasil... ainda estamos longe de ter a população toda vacinada. Mas já podemos sonhar em sacar nossos passaportes do fundo do baú e voltar a viajar, viajar, viajar!

Jornalista Paulo Panayotis, em Shoreditch, Londres

Fotos: Paulo Panayotis / Adriana Reis - © O Que Vi Pelo Mundo



Paulo Panayotis é jornalista especialista em turismo, mergulhador e fundador do Portal OQVPM - O Que Vi Pelo Mundo. Mora na Europa, tem passaporte carimbado em mais de 50 países e viaja com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace e Alitalia.

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