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Parece mas não é: Messi ou Maradona?

Por Heródoto Barbeiro


Foto: David/Pixabay

As rivalidades populares entre brasileiros e argentinos ganham mais força. Agora são chamados ironicamente de “Hermanos”. No programa humorístico do Jô Soares um argentino, quando indicava alguma coisa ruim, era seguido do refrão “Muy Amigo”!!! As rivalidades do futebol não se resumem à Copa Libertadores da América, mas a disputa do melhor jogador do mundo: Pelé ou Maradona?? Ou Messi? o Papa é argentino, mas Deus é brasileiro. Já fomos chamados de “macaquitos”, acusados de imitar os americanos. Respondemos chamando os Hermanos de “Da me dos“, quando o peso valia muito mais do que a moeda brasileira. Hoje a coisa virou, e o real vale mais que o peso. Os aviões da Aerolíneas Argentinas em direção à Europa e Estados Unidos, só faziam escalas técnicas no Brasil. Estavam lotados de Hermanos e não precisavam vender passagens aqui.


Houve momentos de tensão diplomática e militar, quando o Brasil iniciou o desenvolvimento de uma corrida nuclear, com bomba atômica e tudo mais. Felizmente, isso não foi em frente, os dois países assinaram o tratado de não proliferação de armas nucleares. Mas Itaipú, com o nosso sócio Paraguai, foi em frente. Os militares argentinos temiam que se houvesse um conflito e o Brasil abrisse as comportas da hidroelétrica, Buenos Aires ficaria debaixo d´água. Também isso, felizmente, não progrediu.


A virada de aproximação começou com o nascimento do Mercosul, ou seria Mercosur? Durante 300 anos, os países sul-americanos viveram uns de costas para ou outros. A herança colonial, a supremacia do capitalismo industrial reforçou as transações comercial, financeiras e culturais com a Europa e os Estados Unidos. Aqui não se ensinava castelhano, ou seria espanhol? e lá não se ensinava português nas escolas públicas. Contudo, é bom lembrar que países não tem amizades, mas interesses. E o relacionamento econômico nos últimos anos transformou a Argentina no terceiro parceiro comercial do Brasil, e vice-versa. Portanto, os rumos do antigo Vice-Reinado do Prata nos interessa. E muito.


Muito semelhante ao Brasil, a eleição presidencial Argentina, se dá com um segundo turno polarizado. Não dá para entender a importância da vitória de Javier Milei se não se souber um pouco da história e das ligações entre as duas nações mais importantes da América do Sul. Políticos brasileiros, discretamente, apoiaram Massa e Milei. Mas eles fizeram o mesmo na disputa entre Lula e Bolsonaro. É mais um sintoma da importância que um exerce sobre o outro. Deixando de lado as diferenças ideológicas de esquerda e direita, o importante é a aproximação política, uma vez economicamente, como disse, já é bastante intensa.




Heródoto Barbeiro é jornalista do R7, Record News e da Nova Brasil FM. Também é professor, Mestre em História pela USP e advogado pela FMU. Já passou pela TV Cultura, pela CBN e pela Globo. Você pode ver mais em www.herodoto.com.br

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