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Palmeiras é campeão da consistência e da gestão profissional

Por Roberto Maia


Escrevi essa coluna um dia antes do Palmeiras se sagrar campeão nacional pela oitava vez desde a instituição do Campeonato Brasileiro em 1971. Ou pela décima segunda vez, considerando a unificação dos títulos nacionais anteriores. Não importa, o fato é que o Verdão é o maior campeão do Brasil.


Em dez anos de gestão profissional, o Palmeiras conquistou mais de uma dezena de títulos (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

O bicampeonato brasileiro do Palmeiras, conquistado nas temporadas 2022-2023, é mais do que uma simples celebração de glórias esportivas. É um testemunho da resiliência, consistência e mentalidade vencedora que permeiam a estrutura do clube.


A trajetória nesta temporada é um épico em si mesmo, revelando não apenas a maestria tática do técnico Abel Ferreira, mas também a habilidade do time em superar adversidades. Num momento crítico, o Palmeiras se viu 13 pontos atrás do Botafogo, que parecia destinado a se tornar o campeão da competição. Contudo, jogo a jogo, ponto a ponto, o Verdão foi diminuindo a distância e impondo pressão sobre o alvinegro carioca, bem como sobre equipes como Flamengo, Atlético-MG, Grêmio e Red Bull Bragantino, todas ávidas pelo título.


O que torna a conquista ainda mais notável é a eficácia do time. Como uma máquina meticulosamente programada para vencer, foi chegando ao topo para dele não mais sair. Mesmo diante do excepcional desempenho do Atlético-MG no segundo turno, que pode terminar o campeonato com a mesma quantidade de pontos, a superioridade do Palmeiras foi evidente, garantindo-lhe o título até pelo saldo de gols. Não importa, até nesse quesito o time de Abel Ferreira foi melhor. Isso ressalta não apenas a força em campo, mas a astúcia estratégica que permeou a campanha.


No entanto, o verdadeiro segredo do sucesso do Palmeiras não reside apenas dentro das quatro linhas, mas sim na visão administrativa progressista que distingue o clube em meio ao amadorismo que caracteriza o futebol brasileiro.


A introdução de uma gestão profissional e eficiente no Palmeiras não apenas redefine o paradigma de sucesso no futebol brasileiro, mas também desafia a noção de que sociedades anônimas do futebol (SAFs) são a panaceia para alcançar títulos. Se assim fosse, o Botafogo seria o campeão, e clubes como Bahia, Vasco e Cruzeiro não enfrentariam a ameaça de rebaixamento para a Série B.


Sob o comando competente de Abel Ferreira o time coleciona títulos, enquanto a presidente Leila Pereira mantém com mão de ferro o modelo de gestão (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Há alguns anos, o Alviverde iniciou um processo administrativo profissional sob a gestão do presidente Paulo Nobre e se consolidou agora nas mãos de Leila Pereira.


Aliás, a presidente sofreu muita pressão de parte da torcida para fazer novas contratações ao longo do campeonato. Ela se manteve firme e não trouxe novos jogadores. A vitória no Brasileirão não apenas valida essa decisão, mas também destaca a eficácia de uma abordagem fundamentada na estabilidade e na confiança no grupo existente.


O sucesso do Palmeiras, portanto, vai além das glórias momentâneas. É um exemplo vivo de como uma mudança de mentalidade, aliada a uma gestão profissional e estratégica, pode pavimentar o caminho para o sucesso sustentável. Enquanto o Verdão continua a colecionar títulos, sua abordagem inovadora deve servir de inspiração para os rivais, sinalizando que a adaptação a modelos mais modernos é essencial para permanecer competitivo e aspirar ao mais alto nível no cenário esportivo brasileiro.




Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.


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