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  • Redação JBA

Os cinco erros mais comuns cometidos por líderes executivos

Segundo a consultora organizacional, Caroline Marcon, gestores devem evitar, entre outras atitudes: ser centralizadores; não dar espaço a pessoas questionadoras; e usar o passado como inspiração estratégica

Caroline Marcon - consultora organizacional e coach executiva. (Imagem: Joel Rocha)

Quando nos indagamos a respeito de onde reside a maior qualidade de um líder de sucesso, a nossa resposta mais comum é: no carisma. Afinal de contas, é o que nos contam os filmes, os livros e mesmo a nossa experiência. Segundo essas fontes de ensinamento: para liderar é preciso ter um “não sei quê”, uma força a mais, um encanto que parece um dom.


Não menosprezando a importância do carisma, a consultora organizacional, coach executiva e professora de MBAs da Fundação Getúlio Vargas – FGV/SP, Caroline Marcon, afirma que ao contrário do que diz o senso comum, diversas pesquisas vêm mostrando que são os comportamentos que determinam o sucesso de uma liderança. Constatação que contribui para a democratização da arte de ser um bom gestor, afinal de contas, de maneira diversa a um dom, comportamentos podem ser aprendidos.


Caroline elenca então cinco erros comportamentais que podem atrapalhar a carreira executiva de um líder, assim como recomenda o que deve ser feito para evitá-los. Conforme a consultora organizacional, estas dicas se aplicam também a empreendedores.


1 - Estabelecer muitas prioridades: segundo a coach executiva, estabelecer muitas prioridades confunde e dispersa o time, o que contribui para o mau desempenho dos colaboradores e consequentemente da corporação. Caroline destaca que um bom líder deve manter o foco e as metas mais claras e tangíveis possíveis. “Nesse sentido, o ideal é estabelecer de três a cinco prioridades ao ano”, diz.


2 – Ser centralizador: conforme a consultora organizacional, querer participar de tudo que precisa ser decidido a todo momento é um dos grandes empecilhos para uma boa liderança. Tal erro está relacionado justamente ao item anterior, porque querer “abraçar o mundo” decorre justamente do fato de não saber escolher as prioridades certas. “Toda energia que um líder investe em algo que não tem tanta importância tira daquilo que realmente importa” afirma. Assim, Caroline recomenda que o líder forme um bom time e aprenda a delegar. “O primeiro desafio na liderança é perceber que, por melhor que você seja, você não faz nada grandioso sozinho. Liderar é alcançar resultados por meio das pessoas” diz.


3 - Não dar espaço a pessoas questionadoras: de acordo com Caroline, questionar os pontos de vista do líder exige coragem e paixão, duas qualidades que devem ser apreciadas em qualquer profissional. Desse modo, de acordo com a coach executiva, um líder que almeja ser bem-sucedido deve sempre abrir espaço para ouvir o que essas pessoas têm a dizer. “Elas certamente ampliarão a visão e a criatividade do time”, declara. Além disso, conforme a consultora organizacional, em times de alta performance o espaço de fala é estimulado e compartilhado. “Não há vozes dominantes na sala. Ninguém entra mudo e sai calado”, diz.


4 – Demorar muito para decidir sobre erros de contratação: o ideal é ter processos consistentes que minimizem os erros nas contratações de colaboradores. Mas, às vezes, a avaliação é equivocada. Nessas ocasiões, recomenda a consultora organizacional, o gestor deve tomar a decisão, por mais difícil que seja, o quanto antes. “Se o líder já tiver evidências de que um integrante de seu time não se encaixa no perfil desejado, não espere que o tempo resolva a situação, pois a tendência é piorar”, afirma.


5 - Usar o passado como inspiração estratégica: de acordo com Caroline, o líder deve saber utilizar o passado como aprendizado, mas sem ficar preso às suas conquistas. “Mantenha o que está funcionando, mas tenha a mente aberta, flexível e curiosa para pensar o futuro”, aconselha. Segundo a consultora organizacional, o que a pessoa fez enriquece sua história, mas é o que está fazendo agora que lhe torna melhor que a concorrência. “Desse jeito, o melhor a fazer é focar no que se está vivendo agora e no valor presente”, diz.


Sobre Caroline Marcon Graduada em Direito e em Administração de Empresas com mestrado em Comportamento Organizacional. Certificada em Coaching Executivo pela Columbia University New York, em ferramentas de Transformação Cultural pelo Barrett Values Centre, em Gestão da Mudança pelo MIT Sloan e em Meditação pelo Dr. Deepak Chopra nos EUA. Fundadora da Marcon Leadership Consulting e sócia da Field Top Teams Consulting, empresas especializadas em desenvolvimento executivo. Atuou na consultoria global Korn Ferry por nove anos como diretora e coach executiva. Antes disso, trabalhou por cinco anos como consultora para a Organização das Nações Unidas (ONU) na International Telecommunications Union (ITU) e, paralelamente, como consultora de RH na Brasil Telecom/Oi. É também professora de MBAs de Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança da FGV/SP.