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O que há em comum entre o vinho Borgonha, a Torre Eiffel e Louis Pasteur?

Atualizado: Jul 22

Por Paulo Panayotis


Maison Champy, Beaune – França. A primeira coisa que vejo quando entro na Maison Champy é a Torre Eiffel. A segunda, uma estranha máquina, com a assinatura de Louis Pasteur. Acho que errei o endereço, penso comigo mesmo. Era pra ser uma vinícola!


A simpática e profissional Cyrianne Cubadda, se encarrega rapidamente de acabar com a dúvida. Pergunto: é porque Eiffel nasceu na Borgonha? “Na verdade não”, esclarece Cyriane. “Gustave Eiffel, o criador da torre mais famosa do mundo, foi convidado para vir à Beaune para criar um projeto vinícola tão arrojado quanto a ousada torre que havia acabado de criar. Hoje, as vigas que sustentam a vinícola ainda são as criadas por ele naquela época!”, conclui ela. Feliz com a descoberta, emendo mais uma pergunta: Mas e o cientista Louis Pasteur? Foi porque nasceu na Borgonha, certo? “Errado, responde sorrindo Cyrianne. O dono da Maison Champy convidou o famoso cientista para “brincar” com os vinhos borgonheses na tentativa de achar uma fórmula que preservasse, por mais tempo, a qualidade dos vinhos produzidos por aqui e transportados para toda a Europa. E voilá, completa ela, surgiu a pasteurização!”


Três séculos de história - 1720 - 2020 Tivemos a sorte, dias antes, de ir ao lançamento do livro que conta a história dos 300 anos da casa de negociantes mais antiga da Borgonha. Antes mesmo de a garrafa ser inventada, a Maison Champy já fazia e vendia vinhos. Isso foi lá no século XVIII. “De lá para cá tudo mudou, menos a qualidade dos vinhos”, afirma Dimitri Bazas, enólogo e diretor executivo da Casa Champy.


Filho de pais gregos, como eu, Dimitri está na proa dos negócios há mais de duas décadas. “Tenho orgulho de fazer parte desta história”, me confidencia ele em grego, é claro!


Na equipe ainda há mais tempo, está o simpático e também orgulhoso José Ramalho, que comanda as operações na cave. Enquanto experimento belíssimos exemplares de pinot noir, a uva emblemática da Borgonha, ele afirma que “esta é uma das poucas vinícolas que ainda produzem o vinho dentro da cidade de Beaune”. No total, os vinhedos somam uma área de 21 hectares.


O fundador, Edme Champy, era um fabricante de barris que se transformou no primeiro negociante de vinhos da Borgonha. Aos poucos a casa ganhou fama pela sua ousadia e qualidade.


Preciosidades na adega de mais de um quilômetro sob as ruas da cidade

Foto: Adriana Reis

Se no começo a Maison Champy apenas negociava vinhos, a partir de 1750 Claude Champy Père adquire a primeira parcela de terras para iniciar a produção. E não para mais. A visita pela cave, de mais de um quilometro de extensão, é tão emocionante quanto o sabor dos seus vinhos. Para mim, uma das melhores relações custo benefício da região! Isso sem falar nas preciosidades como a mais antiga garrafa encontrada por lá: um Gevrey-Chambertin Grand Cru de 1858!


Se o vinho ainda está bom? “Bem, dizem que sim”, afirma José Ramalho, nosso simpático portuga. “Mas para mim, confidencia ele, a maior emoção mesmo é o momento da chegada das uvas, após o rigoroso inverno quando as plantas despertam. Quando elas voltam, completa ele, recomeça um novo ciclo que se repete há milênios por aqui e que termina, claro, nas taças! Corretíssimo José! Saúde!


Paulo Panayotis é jornalista especialista em turismo, mergulhador e fundador do Portal OQVPM - O Que Vi Pelo Mundo. Mora na Europa, tem passaporte carimbado em mais de 50 países e viaja com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace e Alitalia.

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