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O “Ouro para o bem de São Paulo” está em risco

Por Coronel Camilo


Foto: Jongho Shin

Um dos momentos mais marcantes da história paulista foi a Revolução Constitucionalista de 1932. Toda a população se engajou nessa luta por liberdade e por uma nova constituição. Chegou o momento em que precisaram de recursos para dar continuidade ao movimento. Começou então uma campanha denominada “Ouro para o bem de São Paulo”, onde as pessoas doavam recursos, ouro, joias e até as suas alianças para custear os pracinhas que lutavam por um Brasil melhor.

Porém, o movimento se findou e não houve tempo para se utilizar todo o montante e, as forças de São Paulo, com receio de que esses bens fossem tomados pelo governo federal, decidiram doá-los à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que construiu o prédio, incrustado no centro histórico de São Paulo, mais precisamente no Largo da Misericórdia, nº 23, com 13 andares, representando as 13 listras da Bandeira Paulista, o mastro, em argolas, simbolizando as alianças doadas e o seu topo decorado com o capacete, representando os utilizados pelos pracinhas no Movimento de 32.

Com tristeza, presenciamos no último dia 24 de fevereiro, a invasão desse prédio por um movimento social. No dia 26, embora presente o representante da Santa Casa e esclarecendo que aquele prédio não deveria ser violado, pois seria utilizado para gerar recursos e aumentar e melhorar o atendimento daquela instituição, que tem portas abertas e assiste de maneira exemplar os vulneráveis da nossa cidade de São Paulo, o prédio continuou a ser invadido. Invasão é crime.

No caso em questão, temos mais um “crime” acontecendo contra a história de São Paulo, pois aquele bem, representando um momento de patriotismo, civismo, de amor da população paulista, erguido com o dinheiro do povo de São Paulo também é um imóvel tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP), desde 2016. Sabemos que as invasões, via de regra, causam danos substanciais nas edificações onde acontecem, mais um motivo para a nossa indignação.

Como disse, invasão é crime e, embora nós tenhamos que entender e trabalhar por moradia digna para todos, essa não é a forma de resolver o problema. A invasão quebra a fila daqueles que esperam por sua casa própria e, não raramente, acaba beneficiando os invasores em detrimento dos trabalhadores que estão há muito na espera pelo seu lar. Repito, invasão é crime, mesmo que queira se dar outros nomes mais bonitos para esse delito previsto no artigo 150 do Código Penal Brasileiro.

Em conversa com os responsáveis pela nossa Santa Casa, soube que já impetraram ação de reintegração de posse, provavelmente com pedido de medida liminar. Esperamos que a justiça seja ágil, o prédio seja desocupado e possamos preservar mais este patrimônio histórico de São Paulo.

O nosso querido patrimônio “Ouro para o bem de São Paulo” está em risco e … invasão é crime!




Coronel Camilo é formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.


1 Comment


Embora a Revolução Constitucionalista de 1932 tenha sido um marco na história paulista, devemos reconhecer que o contexto atual é diferente. A campanha "Ouro para o bem de São Paulo" foi uma demonstração notável de solidariedade e patriotismo naquela época, mas hoje enfrentamos desafios sociais e econômicos distintos.

A decisão de doar os recursos excedentes à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi uma escolha louvável, visando beneficiar uma instituição que presta serviços essenciais à comunidade. O prédio construído em memória da Revolução de 1932 é sem dúvida um símbolo histórico importante, mas sua finalidade primordial deve ser adaptada às necessidades atuais da sociedade.

A invasão do prédio, embora seja considerada um ato ilegal, levanta questões complexas sobre a…


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