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O jorro de uma cachoeira de erros

Por Fernando Jorge


Cada volume do Dicionário enciclopédico ilustrado VEJA Larousse é um manancial de erros, uma Cachoeira de Paulo Afonso de informações erradas. E só mostrarei alguns desses erros, amigo leitor, pois já descobri por acaso, tranquilamente, mais de duzentos!


Verbete errado na página 367 do volume 4. Olavo Bilac não fundou a Academia Brasileira de Letras. Quem fundou a ABL, repito, foi o jornalista Lúcio de Mendonça em 1897, como provei no meu livro A Academia do fardão e da confusão - A Academia Brasileira de Letras e os seus “imortais” mortais, publicado pela Geração Editorial.


Verbete errado na página 416. Os textos do escritor português Camilo Castelo Branco não se caracterizam pela "narração curta e ordenada". É o contrário. Sua prosa ostenta períodos largos e, frequentes vezes, mostra-se desordenada. Tão desordenada que Eça de Queiroz declarou: Camilo “amontoa, retorce, embaralha e faz um pastel confuso". Narração curta e ordenada é a de Machado de Assis e não a do autor de O regicida.


Verbete errado na página 436. Ocorreu mesmo o afundamento de navios mercantes brasileiros, no tempo da Primeira Guerra Mundial. Não se trata de “suposto afundamento”. Os submarinos alemães, desrespeitando a nossa neutralidade, torpedearam sucessivamente estes navios mercantes: o Paraná, o Lapa, o Tijuca, o Macau e o Acari. Outro erro no mesmo verbete: Getúlio Vargas, em 1936, "tentou um candidato seu”. Isto transmite a impressão de que Getúlio era gay, homossexual, pois o verbo tentar, aí como transitivo direto, equivale a querer seduzir... Eis o correto: “Getúlio Vargas tentou escolher um candidato seu”.


Verbete errado na página 747 do volume 7. Miguel Costa, general e um dos comandantes da Coluna Prestes, não nasceu em São Paulo, como assegura o dicionário. Ele era argentino, abriu os seus olhos pela primeira vez em Buenos Aires, no dia 3 de outubro de 1874. Consultar a página 1669 do volume II do Dicionário histórico - biográfico brasileiro, publicado no ano de 2001 pela Editora FGV.


Verbete errado na página 896 do volume 8. Eurico Gaspar Dutra foi militar e não um "político brasileiro".


Verbete errado na página 1025 do volume 9. Datas incorretas das peças de Eurípedes, poeta trágico grego. Andrômaca é do ano 426 a.C e não de 425, As suplicantes é de 422 e não de 423, Electra é de 418 e não de 416. Fonte informativa: Jean Laloup, Dictionnaire de litterature grecque et latine, Editions Universitaires, Paris, 1968, página 273.


Verbete errado na página 1458 do volume 13. Datas incorretas da publicação dos livros de poesia de Salomão Jorge, meu pai. Arabescos é de 1941 e não de 1948, Tendas do meu deserto é de 1944 e não de 1951, Porta do céu é de 1961 e não de 1968.


Verbete errado na página 1463. O teatrólogo Antônio José da Silva, o Judeu, não era português. Vítima da Inquisição, autor da famosa peça Guerras do Alecrim e da Manjerona, ele nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de maio de 1705.


Verbete errado na página 1509. Lampião não foi o “líder de um bando de jagunços” e sim de um bando de cangaceiros. Os jagunços eram os seguidores do beato Antônio Conselheiro, durante o movimento místico - religioso, anti-republicano, ocorrido de 1896 a 1897 no sertão da Bahia, em Canudos, na região do rio Vasa-Barris.


Fernando Jorge é jornalista, escritor, historiador, biógrafo, crítico literário, dicionarista e enciclopedista brasileiro, Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Cale a boca, jornalista!”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.

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