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Narguilé: um hábito perigoso

Por Coronel Camilo


Um hábito extremamente perigoso vem ganhando força em plena pandemia de Covid-19: o compartilhamento de narguilé, espécie de cachimbo de água usado para fumar tabaco e essências diversas. Grupos de adolescentes e adultos são flagrados em aglomerações, normalmente em festas, por vezes clandestinas, em horários não autorizados pelo Plano São Paulo, fazendo uso desse cachimbo.

O Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra), em apoio ao comitê de blitze do governo paulista para reforçar a fiscalização de festas clandestinas e aglomerações, tem flagrado seguidamente essa prática. Anteontem, desbaratou uma festa clandestina regada à muita bebida alcoólica e com narguilés no bairro do Jardim Ângela, zona sul. Pelo menos 50 pessoas estavam ali, boa parte delas, sem máscaras de proteção.

Mesmo antes da grave crise de saúde enfrentada no Brasil e no mundo, era comum encontrar os jovens utilizando esse tipo de fumo e compartilhando o equipamento. Agora, diante de uma divulgação em massa sobre os devidos cuidados a serem tomados, infelizmente ainda existem pessoas que não têm consciência e seguem na contramão das ações para vencer a doença. Fora isso, uma sessão de minutos de fumo aumenta a concentração de nicotina e monóxido de carbono no corpo. (Ministério da Saúde/2021). Tem, ainda, nicotina e outros 4.700 ingredientes tóxicos.

Em abril, em uma das investidas da polícia no combate às festas clandestinas, em Jandira, na Grande São Paulo, outra festa foi flagrada com 120 pessoas em ambiente completamente fechado. Não bastasse a aglomeração, convidados sem máscaras, que estavam ali compartilhavam o narguilé. O problema é muito sério pois a piteira compartilhada pode estar contaminada.

O uso da piteira por uma ou mais pessoas, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, causa uma exposição dos usuários ao risco de contaminação e transmissão de doenças infectocontagiosas, dentre elas a Covid-19. Outro fato relevante exposto pelo Instituto é que, por conter tabaco, há risco para desenvolvimento de sintomas mais graves do Coronavírus.

Outro alvo das blitze foi o bairro de Vila Formosa. Em março, 42 pessoas fumavam narguilé juntas e destas, 18 não usavam máscaras. O local, antes da pandemia, funcionava como ponto de encontro dos jovens justamente para o fumo. Mas, por trás da porta abaixada, o evento ocorria normalmente e sem qualquer ventilação, ou seja, um ambiente mais propício para a transmissão.

O mais grave de tudo isso, exatamente o que tentamos evitar, é lotar hospitais com pessoas doentes e observar o aumento no número de casos e mortes. É necessário lembrar dos nossos pais e familiares que estão em casa se protegendo e, na volta destas festas, as pessoas podem passar a doença para os parentes. As autuações e as operações irão continuar. O cidadão pode denunciar pelo telefone 0800-771-3541. Faça sua parte!


Coronel Camilo é secretário-executivo da Polícia Militar. É formado em Administração de empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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