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Milos: uma surpresa atrás da outra

Por Paulo Panayotis


Kímolos/Milos - Cíclades, Grécia. Tomo um grande gole de meu “freddo capuccino”. Cremoso e gelado, é uma febre em toda a Grécia. Adoro! Especialmente a 40 graus em pleno verão grego. A ideia é ficar alguns dias na pequena ilha de Kímolos. É uma das maiores decepções de viagem dos últimos tempos. A chegada é de carro alugado, de ferry boat, vindo da ilha de, Syros, a capital das Cíclades. Procuro, por todos os meios, uma pousadinha charmosa, um cantinho a beira mar, um local alto com vista para o Egeu. Nada! E o que encontro é muito caro pelo que oferece. Mesmo em meio à pandemia, na pequena Kímolos, praticamente sem oferta para o turismo, os preços continuam bem altos. Mesmo os ilhéus, sempre amigáveis por todo o Egeu, em Kimolos são meio soturnos, brutos. Isolado e sem opção razoável para passar a noite, lamento antecipadamente os euros que serei obrigado a deixar por aqui. No final da tarde, de frente para o pequeno porto vejo uma balsa, chamada de ‘ pandofla”, chinelo em português, pronta para sair  em direção à Milos.  É a minha sorte. Num ímpeto, me jogo dentro do ferry e penso: seja o que Deus quiser!

Por do sol em Pollonia

O sol, no horizonte, testemunha minha decisão quando entro em uma pousada linda, longe da praia porém linda, toda em azul e branco com flores multicoloridas e muitas bouganvilles (primaveras em português). O preço é o que eu desejo pagar, mas sem vista. Não é que os deuses gregos estão lá mais uma vez e, seguindo a iáiá (vovó em grego), atravesso uma rua e: “uau”! Ela me oferece seu último quarto de frente para o mar! E com sacada!  Não é pra se apaixonar perdidamente por Milos? Negocio cinco dias. A dona, Stavroula, uma simpatia, me deixa à vontade logo na chegada e oferece melancia e melão frescos. Durmo embalado com o aroma do mar e o som do Egeu a poucos metros de minha sacada! Adormeço pensando nas surpresas do dia seguinte.

Jornalista Adriana Reis no centrinho de Milos com lua cheia ao fundo

A Afrodite de Milos

Claro que você já ouviu falar da Vênus de Milos, certo? E que ela foi encontrada em Milos, não é? Mas que o nome grego é Afrodite de Milos, aposto que você não sabia! Aliás, nem eu sabia! Visitar o sítio arqueológico onde a famosa estátua foi encontrada é outra surpresa. Como, penso eu, há centenas e centenas de anos, esse povo, neste lugar ermo, já produzia arte? O anfiteatro é testemunha disso. Vale a caminhada em meio ao sol escaldante. No centro do palco, com uma acústica impressionante até hoje, sinto-me participando da história do ser humano. Ah, a Afrodite, ou Vênus de Milo, repousa hoje lá no Museu do Louvre em Paris. A história dela é longa e contarei em outra oportunidade.


Praia Papafragas, se é que isso pode ser chamado de praia

As praias aquário

Falésias, morros que acabam em águas cristalinamente azuis, azuis turquesas, azuis marinho! Remansos em tons degradês, com pedrinhas brancas brilhando no fundo e peixinhos indolentes nadando livremente. Cada praia que conheço em Milos é diferente da outra! Cada uma tem seu encanto, sua beleza, seus mistérios. 

Sarakinikos, lugar para ver, ser visto e se “instagramar” 


Assim é em Sarakiniko, uma falésia recortada por águas incrivelmente cristalinas. Luz e sol até oito da noite. Diariamente! Temperatura sempre acima dos 30 graus e aquele vento suave que faz você esquecer de tudo! Mithos (cerveja grega) gelada, vinho da casa em caneca, peixe fresco, polvo na brasa, liberdade! O que mais? Confesso. Cinco dias passam voando em Milos. Tem atrações para mais cinco, no mínimo! 


O fatídico 31 de Agosto

De Milos tenho trabalho a fazer na minha ilha preferida, Santorini. Bilhetes na mão, devo deixar a querida e surpreendente Milos em um ferry boat que parte uma hora da manhã. Alo, é o senhor Panayotis? Sim, pois não. Estamos ligando para informar que navio que partiria nesta próxima madrugada cancelado. O próximo, diz a voz do outro lado do celular, será apenas daqui a quatro dias. Posso remarcar seus bilhetes? Pânico, desespero por alguns minutos. O dia é 31 de Agosto de 2020. Há exatos 23 anos, no mesmo dia, ou seja 31 de agosto de 1997, outra grande surpresa envolvendo Santorini acontecia. Mas essa história você fica sabendo na segunda parte desta reportagem sobre Milos, a minha segunda mais amada ilha em todo o Egeu grego!  Giá hará, ou, até já, em grego!

Jornalista Paulo Panayotis em sua praia particular

Fotos: Paulo Panayotis e Adriana Reis


Paulo Panayotis é jornalista especialista em turismo, mergulhador e fundador do Portal OQVPM - O Que Vi Pelo Mundo. Mora na Europa, tem passaporte carimbado em mais de 50 países e viaja com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace e Alitalia.

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