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Lampiões a Gás no Patteo do Collegio

Por Coronel Camilo


Foto: divulgação

Tudo começou em 1873, com a San Paulo Gas Company, a atual Comgás, que passou a ser responsável pela iluminação da fachada de marcos importantes da cidade, como a Catedral da Sé. O gás era obtido pela queima do carvão — bem antes disso, a partir de 1830, existiam lampiões que funcionavam pela combustão do azeite, inclusive óleo de baleia. Em 1.873, havia cerca de 700 estruturas do tipo pela cidade, que se multiplicaram e caracterizaram a iluminação pública. São Paulo começava a construir a sua vida noturna, hoje mundialmente conhecida e admirada.


Isso nos remete a uma das mais antigas profissões no Brasil, o acendedor de lampiões, como bem representado na poesia de Jorge de lima: “Lá vem o acendedor de lampiões da rua! Parodiar o sol e associar-se à lua”. Diariamente acendiam a chama das luminárias, deixando claras as noites da cidade. Os acendedores começavam o seu trabalho no final de tarde, com uma vara especial que tinha uma esponja na ponta. Quando o sol nascia, eles apagavam cada lamparina da cidade, limpando os vidros e reabastecendo as lâmpadas.


O último lampião a gás operacional da Cidade foi desligado em 08 de dezembro de 1936. As luzes à moda antiga do Pateo do Collegio resistiram e na década de 70, passaram a ter como base o gás de nafta. A partir do final dos anos 80, passou a se utilizar o atual gás natural. O acendimento ainda se dava de forma manual e intermitente. Em 2001, o sistema foi convertido para a ligação automatizada. Em 2013, os postes foram desligados de vez e reativados em uma nova parceria com a Prefeitura em 2018 com o acendimento automático de 38 unidades.


Agora, numa parceria entre a Comgás e a Prefeitura de São Paulo, foram restaurados e reativados no Pateo do Collegio, talvez o único lugar no Estado onde ainda existem lampiões a gás. O conjunto traz dispositivos acionados por uma fotocélula, que identifica a queda da luminosidade natural e libera o gás em um queimador. Ao clarear, o fornecedor é desligado automaticamente.


Em tempos de LED - lembramos que quase toda a cidade já conta com essa nova tecnologia de iluminação -, o Centro consegue manter as luminárias históricas e ornamentais, como as do Viaduto do Chá e da Praça da Sé, bem como os lampiões a gás do Pateo do Collegio, convivendo harmonicamente com a luminosidade da nova tecnologia, prova de que história e modernidade não se conflitam.


Temos muitos edifícios tombados, caminhadas noturnas que narram eventos importantes e os lampiões serão mais um atrativo para nossa população que circula pelo Centro. Venha você também conhecer os “Lampiões, a luz da alma paulistana!”



Coronel Camilo é formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.



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