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  • Redação JBA

Instituto Tomie Ohtake apresenta exposição Pardo É Papel

As obras do carioca Maxwell Alexandre ficam expostas até o dia 25 de julho

Imagem: Vitória Proença

O Instituto Tomie Ohtake exibe “Pardo É Papel”, uma série de treze pinturas do carioca Maxwell Alexandre, artista que nasceu e mora na Rocinha. O início da exibição remete a maio de 2017, quando o artista pintou alguns autorretratos em folhas de papel pardo perdidas no ateliê. Nesse processo, além da sedução estética potente, ele percebeu o ato político e conceitual que está articulando ao pintar corpos negros sobre papel pardo, uma vez que a “cor” parda foi usada durante muito tempo para velar a negritude.


“O desígnio pardo encontrado nas certidões de nascimento, em currículos e carteiras de identidades de negros do passado, foi necessário para o processo de redenção, em outras palavras, de clareamento da nossa raça. Porém, nos dias de hoje, com a internet, os debates e tomada de consciência e reivindicações das minorias, os negros passaram a exercer sua voz, a se entender e se orgulhar como negro, assumindo seu nariz, seu cabelo, e construindo sua autoestima por enaltecimento do que é, de si mesmo. Este fenômeno é tão forte e relevante, que o conceito de pardo hoje ganhou uma sonoridade pejorativa dentro dos coletivos negros. Dizer a um negro que ele é moreno ou pardo pode ser um grande problema, afinal, Pardo é Papel”, ressalta o artista.


No Brasil, a exposição levou 60 mil visitantes ao Museu de Arte do Rio - MAR em sua inauguração e passou recentemente pela Fundação Iberê, em Porto Alegre.


Pardo é Papel

Instituto Tomie Ohtake

Rua Coropés,88

Até 25 de julho de 2021

De terça a domingo, das 12h às 17h

Entrada gratuita

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