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Flamengo e Globo travam guerra por direitos de transmissão

Atualizado: Jun 29

Por Roberto Maia


A semana começou com a informação de que 21 jogadores do Corinthians foram infectados pelo COVID-19. Trata-se de um número altíssimo considerando um elenco com cerca de 30 atletas. Fora os vários membros da comissão técnica que também foram vítimas do novo coronavírus. O noticiário esportivo também mostrou que os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro já somam 95 casos de jogadores infectados. Apenas Internacional e Fluminense não tiveram registros de COVID-19 entre seus jogadores. Apesar disso, seguem firmes os preparativos para a volta do futebol no Brasil.


Mas um outro assunto que chamou a atenção é o imbróglio entre Flamengo e Rede Globo pelos direitos de transmissão dos jogos do rubro-negro. O Mengão resolveu peitar a emissora amparado na Medida Provisória nº 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. A MP altera a Lei Pelé em vigor desde 1998 e dá a prerrogativa exclusiva do clube mandante de negociar seus jogos.


Apesar de ter contrato vigente com a emissora, o clube carioca entrou com ação na Justiça para fazer valer o direito recém adquirido para a transmissão de imagens dos jogos como mandante no Campeonato Carioca. Na queda de braço, o Flamengo garante que utilizará a sua FLA TV para transmitir o seu jogo contra o Boavista, na próxima quarta-feira, no Maracanã, pela Taça Rio.


Vasco, Botafogo e Fluminense não resistiram à pressão e já concordaram com a renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Carioca com a TV Globo. Por outro lado, a emissora avisou que ninguém recebe enquanto o rubro-negro não assinar. Briga de gigantes!


O embate é bastante interessante porque pode quebrar paradigmas e mudar a forma de transmissões de jogos de futebol no país. Desde o desmantelamento do antigo Clube dos 13, que reunia os principais times da Série A do Brasileirão, não víamos um movimento em busca de mudanças. Em fevereiro de 2011, o Corinthians rompeu com a entidade que tinha procuração para discutir os contratos de transmissões de jogos e decidiu negociar diretamente com as emissoras interessadas.


E se deu muito bem, aumentado consideravelmente a sua cota nos anos seguintes ao assinar com a Rede Globo. Na sequência todos os outros clubes tomaram a mesma decisão e passaram a gerir seus interesses diretamente. Todos passaram a ganhar mais e ficaram satisfeitos até agora.


O que o rubro-negro está querendo já é realidade na Europa há vários anos. Com o avanço da tecnologia, os canais via internet dos clubes ganharam relevância e número cada vez maior de assinantes e seguidores. No início veiculavam apenas informações sobre os esportes do clube, eventos sociais e notícias sobre o time de futebol. Assim, passaram a atender não mais apenas seus torcedores locais e ganharam projeção global.


Nesse cenário começaram a pensar grande. Um bom exemplo é o Benfica, um dos primeiros clubes a transmitir seus jogos através de seu canal na internet ao invés de vender os direitos para à Sport TV, então a emissora detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Português.


O Benfica deixou de vender os direitos de transmissão e passou ele próprio a comercializar seus jogos através do Benfica TV. A fórmula deu certo e o clube passou a faturar mais que seus rivais Porto e Sporting. Com mais de 300 mil assinantes no primeiro ano, o clube obteve receitas na ordem de 30 milhões de euros. Antes recebia apenas 7,5 milhões de euros.


Criado em 2008, o Benfica TV cresceu e nos anos seguintes passou a comprar os direitos de transmissão de jogos de outros campeonatos internacionais, inclusive o Brasileirão, Major League Soccer, Campeonato Grego e da Premier League, além de partidas das eliminatórias da Eurocopa e da Copa do Mundo. Em 2014, passou a diversificar e comprou os direitos do UFC. E para evitar a repulsa dos rivais e abocanhar um número maior de clientes mudou o nome do canal para BTV.


Certamente o Flamengo está mirando no sucesso dos portugueses e apostando forte no poder da sua marca e enorme torcida. Toda essa transformação no jeito de assistir jogos no Brasil poderá ser realidade nos próximos anos.


Roberto Maia é jornalista com MBA em Economia do Turismo pela USP-Fipe. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas há mais de 20 anos dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jonais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.

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