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Em Santo Amaro, Prefeitura inaugura quarta Vila Reencontro para famílias em situação de rua

Habitações são mobiliadas e montadas de acordo com a configuração familiar; nova unidade tem capacidade para atender 272 pessoas


Foto: Marcelo Pereira/SECOM

Recomeço e retomada da dignidade foram algumas das palavras mais lembradas pelos novos moradores da Vila Reencontro Santo Amaro, na Zona Sul, inaugurada nesta terça-feira (12) pelo prefeito Ricardo Nunes. Com capacidade para 68 famílias e 272 pessoas, esta quarta unidade leva o programa a atingir a marca histórica de mil vagas nessa modalidade inédita de habitação para atender à população em situação de rua.

Ao fazer a entrega, o prefeito lembrou que o projeto é destinado especialmente a famílias para crianças e ressaltou os serviços e benefícios disponibilizados no programa. “A Vila Reencontro é algo que pertence a todos nós, uma oportunidade de se reencontrar, para a reinserção. Eu fico feliz e até me emociono com isso, porque é um projeto inovador que a gente foi criando e desenhando com muito carinho porque aqui cada uma das casas tem seu número, endereço”, disse Nunes, ressaltando a importância do endereço para quem está à procura de emprego.


Foto: Marcelo Pereira/SECOM

O prefeito afirmou também que no ano passado 10.744 pessoas que estavam em situação de rua conseguiram mudar de condição pelo acompanhamento da Prefeitura, e puderam se reinserir no mercado de trabalho, conseguir uma residência.

Nunes explicou ainda que as unidades são individualizadas, configuradas para atender às especificidades de cada família. “Se é um casal com bebezinho, tem cama de casal e um berço, se é um casal e dois filhos, tem cama de casal e beliche. Tem seu banheiro individual, seu vaso, seu chuveiro, sua torneira, sua cozinha”, disse.

Inspiradas no modelo internacional “Housing First” (Moradia Primeiro), as quatro unidades da Vila Reencontro acolhem famílias em situação de vulnerabilidade, garantindo um espaço mobiliado, refeições e infraestrutura comunitária. A Vila Reencontro Santo Amaro foi construída na Praça Dom Francisco de Sousa, 126, em um terreno de 3.269 m² com 68 módulos, cozinha e lavanderia comunitárias, horta, brinquedoteca, playground, sala de administração e de atendimento social e guarita.

A Prefeitura investiu, ao todo, R$ 4,7 milhões na instalação dos módulos. Além de toda a infraestrutura, o serviço conta com uma equipe com 41 profissionais que garantirá acompanhamento profissional diário. As famílias recebem café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar, atendimento psicológico e social e cursos de qualificação para auxiliar no processo de recuperação da autonomia.

“Quando temos sinais de que algo está dando certo, a gente replica aquilo que está sendo feito para que os resultados sejam multiplicados. É isso que está acontecendo nas Vilas Reencontro. Chegamos à quarta unidade porque as outras três Vilas entregues pela Prefeitura, aliás, a primeira completa um ano neste mês de dezembro, estão se mostrando eficientes no propósito de acolher, resgatar a prática de ações em comunidade e buscar a inserção no mercado de trabalho para o ganho de autonomia dessas famílias que antes estavam em situação de rua”, disse o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Bezerra Jr.

Para a auxiliar de limpeza Janaina Fernandes dos Santos, de 40 anos, morar na Vila Reencontro é uma oportunidade para retomar sua vida. "Meu marido faleceu e eu fiquei meio desorientada, porque ele ajudava na casa, e fiquei desempregada, com as crianças. Não conseguia arrumar emprego, e fui parar no centro de acolhida com as crianças”, conta Janaina, que soube da Vila Reencontro quando estava no centro de acolhida. "Eu amei, achei maravilhoso, uma benção mesmo, porque você tem seu espaço, seu cantinho pra você e sua família, para tomar banho, dormir, fazer alguma coisa para você comer com seus filhos, não tem dinheiro que pague”, disse.

Este é o quarto equipamento do gênero instalado na cidade em apenas um ano. A primeira unidade da Vila Reencontro foi entregue na véspera do Natal de 2022 em um terreno de mais de 30 mil m², no bairro do Canindé, região central da cidade. Hoje, 37 famílias (127 pessoas) estão abrigadas na Vila Reencontro Cruzeiro do Sul.

Foto: Marcelo Pereira/SECOM

Já em fevereiro de 2023, a Prefeitura inaugurou a Vila Reencontro Anhangabaú, localizada na Ladeira da Memória, região central da cidade. A Vila tem 49 unidades, sendo que nove são para funções administrativas, como sala de atendimento, espaço multiuso e brinquedoteca, e outras 40 unidades para moradia, que comportam até quatro pessoas cada.

E em outubro, a Prefeitura, por meio da SMADS, entregou a Vila Reencontro Pari, a maior unidade do Projeto, com 100 módulos e capacidade para atender até 400 pessoas. A Vila Reencontro Pari dispõe de área comum com lavanderia, cozinha, quadra poliesportiva, playground, biblioteca e brinquedoteca e é administrada pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Associação Evangélica Beneficente – AEB, entidade com 95 anos de história.

Para o presidente da Câmara Municipal, o vereador Milton Leite, as Vilas Reencontro são uma resposta da sociedade para o acolhimento das pessoas vulneráveis. “Isso humaniza esta cidade ao dar um novo lar para as pessoas. A primeira moradora disse que aqui vai poder fazer a comida, tomar um banho quente. Olha o que estamos dando para ela, é o mínimo que a sociedade pode ofertar. Isso é uma casa, tem banheiro individualizado. Isso traz dignidade”, afirmou.

Foto: Marcelo Pereira/SECOM

A Vila

O perfil das famílias que estão na Vila Reencontro foi definido por meio de critérios de elegibilidades específicos e constantes na Portaria 95/2022. São casais com filhos, famílias monoparentais e outras composições familiares com até uma criança. Há, ainda, outros critérios de priorização estabelecidos, tais como presença de crianças de 0 a seis anos e mulheres com histórico de violência doméstica.

As unidades, que têm 18m², estão equipadas com banheiros e pias e são mobiliadas de acordo com a configuração familiar, para pessoas em situação de vulnerabilidade social, com camas de casal ou beliches e berços, geladeiras, fogões com duas bocas e guarda-roupas. As áreas comuns são compostas por cozinha, lavanderia, horta, playground, banheiros, salas administrativas e de atendimentos sociais.

Mais sobre o Programa Reencontro

O Programa Reencontro prevê a entrega de módulos de 18 m², equipados com cozinha, banheiro, armário e mobiliário de acordo com a configuração familiar, para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O programa é focado na conquista da autonomia por parte dos usuários através da reinserção no mercado de trabalho e da reconstrução dos vínculos sociais e familiares.

Cada família pode permanecer entre 12 e 24 meses nas moradias transitórias das Vilas Reencontro. Esse período pode ser estendido de acordo com o acompanhamento da família pela equipe técnica. Além disso, as famílias devem participar de capacitações profissionais e outros atendimentos sociais com o objetivo de ganho de autonomia.

Os critérios de elegibilidade para acolhimento nas moradias transitórias são as informações do CadÚnico, as famílias em que as mulheres são as responsáveis, núcleos familiares que possuam crianças e adolescentes em sua composição e que estejam em situação de rua por um período mais recente (de seis meses a 36 meses).

O projeto se divide em três eixos de atuação: conexão, cuidado e oportunidade. O primeiro visa a estimular a recriação de vínculos preexistentes e o fortalecimento da rede de apoio. O primeiro elemento de conexão entre o poder público e o indivíduo em situação de rua é a abordagem social, sendo, portanto, um instrumento fundamental de vinculação das pessoas à política pública e às demais etapas e eixos do Programa Reencontro.

Já no segundo eixo, serão oferecidas moradias subsidiadas para aqueles que não possuem renda suficiente, nas seguintes modalidades: locação social, que é o aluguel subsidiado conforme renda; a renda mínima ou o auxílio pecuniário para pessoas sem problemas de drogadição; moradia transitória ou as unidades com alta rotatividade para que se busque evitar o processo de cronificação, promovendo rápido resgate da autonomia.

Foto: Marcelo Pereira/SECOM

O eixo oportunidade, por fim, consiste na intermediação de mão de obra e emprego, através da capacitação profissional, da alocação em contratos públicos (Decreto nº 59.252/20), da busca ativa por vagas e do estímulo à contratação no setor privado.

Rede Socioassistencial

A capital possui a maior rede socioassistencial da América Latina, com cerca de 24 mil vagas de acolhimento para pessoas em situação de rua, distribuídas em Centros de Acolhida, hotéis sociais, Repúblicas para Adultos, Vilas Reencontro, entre outros.

O encaminhamento para os serviços de acolhimento da rede socioassistencial é feito de acordo com o perfil do indivíduo e com a tipologia do serviço, respeitando o histórico da pessoa ou família a ser acolhida.

As pessoas em situação de rua são encaminhadas aos serviços de acolhimento por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centros Pop) do município, do SEAS e Ampara SP.

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