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  • Redação JBA

Ela é ótima professora

Por Fernando Jorge

Imagem: Bruno Nascimento (Unsplash)

Sim, é verdade, o imenso valor das mães, o carinho, a dedicação, o amor único e insuperável dessas criaturas, os puros e elevados sentimentos que devemos ter em relação a elas, tudo isto nós encontramos nas páginas da Bíblia. Consultemos, por exemplo, um dos mandamentos da lei de Deus, registrado no versículo 16 do capítulo quinto do Deuteronômio:

“Honra o teu pai e a tua mãe, como te mandou o Senhor, para que se prolonguem os teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus.”

De acordo com o capítulo três do Primeiro Livro dos Reis, duas mulheres disputavam a mesma criança, diante do rei Salomão. Cada uma delas, cheia de ardor, afirmava ser a verdadeira mãe de um menino. O rei Salomão ordenou que lhe trouxessem uma espada e depois proferiu estas palavras:


-Cortai pelo meio o menino vivo, e dai metade a uma e metade à outra.


Desesperada, uma das mulheres implorou:


-Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo, não o mateis!


A segunda dizia:


-Ele não será teu nem meu. Seja dividido!


Nesse momento, indicando a primeira mulher, o rei Salomão pronunciou a sentença:


-Dai o menino vivo a esta mulher, não o mateis, pois é ela a sua mãe.


Em tal passagem da Bíblia devemos admirar, além da alta sabedoria de Salomão, essa prova eloquente do sublime e incomparável amor materno.


Atribuídos a Salomão, os Provérbios formam o livro mais complexo da Sagrada Escritura. Os estudiosos já mostraram a sua semelhança com o livro egípcio da sabedoria, de Amenemope. Nos versículos 8 e 9 do capítulo primeiro dos Provérbios, o leitor da Bíblia encontra este conselho de um sábio:

“Ouve, meu filho, a instrução do teu pai, não desprezes o ensinamento de tua mãe. Isso será, pois, um diadema de graça para a tua cabeça e um colar para o teu pescoço.”

Eis o versículo 26 do capítulo dezenove do citado livro:

“Quem maltrata o seu pai, quem expulsa a sua mãe, é um filho infame, do qual todos se envergonham.”

Vejamos o que declara o versículo 20 do capítulo vinte dos Provérbios:

“Quem amaldiçoa o seu pai ou a sua mãe, verá apagar-se a sua luz no meio de densas trevas.”

Como interpretar este versículo? Creio que ele ameaça com a cegueira da razão, isto é, com a loucura, todos os filhos que ofendem os seus pais, cobrindo-os de lama, de injúrias torpes e asquerosas. No versículo 22 do capítulo vinte e três dos Provérbios, há um conselho muito rejeitado por milhares de adolescentes:


“Dá ouvidos a teu pai, àquele que te gerou, e não desprezes a tua mãe quando envelhecer.”

Examinando o texto do capítulo dois do Evangelho de São João, que descreve as bodas de Caná, vemos como Jesus nunca deixava de atender a um pedido de sua genitora. Nossa Senhora informou ao Salvador, referindo-se às pessoas que se achavam na festa:


-Elas já não têm vinho.


Jesus respondeu:


-Mulher, isto compete a nós? A minha hora ainda não chegou.


Com perfeito senso de justiça, o Nazareno quis dizer que ele e a sua mãe não tinham culpa, se havia a falta daquela bebida. E não era também a hora de fazer milagres. Mas querendo atender ao pedido de Maria, o Redentor da Humanidade antecipou essa hora e converteu em vinho a água contida em seis talhas de pedra. Este foi o primeiro milagre de Jesus, salienta o versículo 11 do capítulo dois do Evangelho de São João. O Homem-Deus o realizou porque um pedido de mãe, em qualquer circunstância, é e sempre será um pedido de mãe...


Fernando Jorge é jornalista, escritor, historiador, biógrafo, crítico literário, dicionarista e enciclopedista brasileiro, Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, que acaba de ser lançado pela Editora Novo Século.

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