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Educação e Afetividade: um caminho quase perfeito

Por Sueli Bravi Conte


“É tarefa e desafio da escola assumir efetivamente, em parceria com os pais, a função de proporcionar aos alunos oportunidades de evoluir como seres humanos. Para isto, seu trabalho pedagógico e educacional é cuidar da sua formação, fazendo-os cumprir regras, impondo-lhes limites e, acima de tudo, acreditando que os jovens têm capacidade de suportar frustrações”.

A afirmação acima é de Ivan Roberto Capelatto, psicólogo clínico e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e famílias. Mas a escola é capaz de realizar tais funções? Segundo Capelatto, essa tarefa é difícil e complicada. Porém, os momentos de afetividade vividos na escola são fundamentais para a formação de personalidades sadias e capazes de aprender.

No mundo de hoje, já não basta que a escola se preocupe apenas com a quantidade de informações que transmite por meio de competição e do uso de modernas tecnologias, de forma meramente burocrática e mercadológica. Esse tipo de instituição afasta o ser humano – tratando os alunos apenas como números de registro. Apesar de dispor de um grande espaço, onde os jovens passam metade do seu dia durante duzentos dias por ano, professores e colaboradores devem se manter atentos para não perder a oportunidade de ajudar o aluno a desenvolver a afetividade.

Sueli Bravi Conte é educadora e psicopedagoga

É óbvio que a responsabilidade em impor regras e fazê-las respeitadas é dos pais, mas cabe também à escola aproveitar a oportunidade de viver o jogo da afetividade antes mesmo de comunicar aos pais os abusos dos filhos. Instaurar o diálogo é o primeiro passo para estabelecer um vínculo afetivo com o aluno. É bem provável que desse contato prevaleça um espaço de respeito e prazer.

É nas situações tensas que se propõem limites, que se trabalham as frustrações e se abrem as portas da compreensão. Caso contrário, as informações recebidas acabam sendo desvalorizadas e esquecidas, porque faltou afetividade para estruturar os sentimentos vivenciados nesse processo de aprendizagem.

No que diz respeito às famílias, não se pode transferir tudo para a escola, como a educação sexual, a definição política ou formação religiosa, apenas para citar alguns temas. Com isso, os pais vão abandonando seu foco e a família perde a função. Contudo, partilhar a missão de transferir e ensinar afetividade com a equipe escolar é uma orientação correta para pais e responsáveis.

Nesse sentido, a escola não deve ser só um lugar de aprendizagem, mas também um campo de ação no qual haverá continuidade da vida afetiva. A instituição de ensino que funciona como quintal da casa poderá desempenhar o papel de parceira na formação de um indivíduo inteiro e sadio.

É na escola que se deve dar a conscientização a respeito dos problemas do planeta: destruição do meio ambiente, desvalorização de grupos menos favorecidos e outros. Deve-se falar sobre amizade, sobre a importância do grupo social, sobre questões tão práticas como afetivas.

Hoje, percebe-se que a escola não pode viver sem a família e a família não pode viver sem a escola – são instituições interdependentes e complementares. A inclusão dos pais no programa de ensino, convidando-os a participar de eventos e discutindo com eles as questões dos jovens tem diminuído as distâncias e incentivado o aluno a repensar algumas ações e comportamentos.

“Temos de ter sempre em mente que o que o jovem faz em casa, faz na escola. Ele transfere para a escola coisas da casa e isso constitui o maior fundamento para justificar a união constante e perpétua dessas únicas duas instituições de educação”, explica Capelatto.

Diante de tal missão, a escola deve se conscientizar de que é uma instituição afetiva que complementa a família. Sem essa consciência, criamos um bando de seres que aprenderam, mas não sabem usar o que aprenderam, porque estão afetivamente empobrecidos. Ou seja, o jovem só vai gostar da escola quando houver afetividade, quando sentir que se preocupam, gostam e cuidam dele.

Sueli Bravi Conte é educadora, psicopedagoga, mestre em Neurociência e mantenedora do Colégio Renovação, instituição de ensino com mais de 35 anos de atividades e que atua da Educação Infantil ao Ensino Médio.

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