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Dois casamentos que me impressionaram...

Por Fernando Jorge

(Imagem: Freepik)

Tornei-me amigo de um comerciante sírio que morava num hotel da rua 25 de Março, na capital paulista, cujo proprietário também era sírio. Esse comerciante meu amigo era um bom sujeito, porém ingênuo, desprovido de qualquer tipo de maldade. Um dia ele me disse, com sua linguagem característica:


– Migo (amigo) bô (vou) mi casá pur corruspundencia (me casar por correspondência), com uma mericana (americana) de Noba Horqui (Nova York).


E de fato ele se casou por carta com a tal americana de Nova York, sem nunca a ter visto, sem saber como agia, comportava-se. Foi buscá-la no aeroporto. A gringa tinha o aspecto de macho. Fumava até charuto. Revelava ser durona, enérgica, decidida. Foram para o hotel da rua 25 de Março e ela, logo na primeira noite do casamento, resolveu ir a uma boate, pois queria dançar. O meu amigo declarou que ela devia ficar com ele no hotel, pelo fato dessa noite ser de núpcias dos dois, mas a americana insistiu, e como o meu amigo se negava sempre a levá-la a uma boate, ela pegou as gravatas dele num armário e o amarrou numa cadeira, com essas gravatas. Tapou a boca do marido, usando outra gravata e saiu do hotel, indo a uma boate, onde ficou dançando até de madrugada...


O caso ficou logo conhecido e tornou-se muito comentado, na área da rua 25 de Março.

Agora vou descrever o segundo casamento errado.


Fique amigo, no Rio de Janeiro, de um rapaz que estava apaixonado por uma mulher, segundo as suas palavras, de “beleza estonteante”. Ele a conheceu num bar de Copacabana. Certo dia, meio bêbado, levou-a a um cartório e uniu-se a ela pelos “laços sagrados do matrimônio”. E logo descobriu, ele havia casado com um homem, com um transexual...


Sem bancar o moralista ou o puritano, concluo dizendo: a vida, inúmeras vezes, é uma caixa na qual está escrita a palavra goiabada, mas sendo aberta vemos que só contém cocô de rato...



Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.