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  • Redação JBA

Diagnóstico de hipotireoidismo congênito em recém-nascidos não pode ser adiado nem na pandemia

Dra Tânia Bachega, presidente da SBTEIM, fala sobre detecção e terapia da doença que afeta um em cada 2/4 mil bebês

Imagem: Freepik

O hipotireoidismo congênito (HC) é uma das mais doenças endócrinas mais comuns em crianças. Afeta, aproximadamente, um em cada 2 a 4 mil bebês, sendo também uma das causas mais frequentes de deficiência intelectual.

Os bebês afetados podem apresentar, ao nascimento, uma icterícia prolongada, choro rouco, fontanelas alargadas, hérnia umbilical e macroglossia (aumento da língua); porém, vale a pena ressaltar que muitos bebês são assintomáticos em fases iniciais da doença.

A enfermidade é causada por alterações na formação da glândula tireoide ou na sua migração para sua posição pescoço na vida fetal. Também pode ter relação com defeitos em enzimas necessárias para a produção de hormônios tireoidianos.

De acordo com a endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), Dra. Tânia Bachega, apesar da pandemia, o teste do pezinho, que diagnostica a doença, não pode ser adiado, “este exame é uma sentença de vida para o bebê, deve ser coletado até o quinto dia após o nascimento e os pais devem exigir o resultado do exame antes de 30 dias de vida”, recomenda.

Na opinião da médica, sem o diagnóstico e a terapia precoce, com o tempo, os bebês passam apresentar alterações do desenvolvimento neurológico e motor, além de queda de cabelos, diminuição da velocidade de crescimento e deficiência intelectual em graus variáveis. “A instituição da terapia, que é realizada pela reposição por via oral do hormônio da tireoide antes de 30 dias de vida, permite o desenvolvimento totalmente normal, evita a deficiência intelectual, além do benefício de um custo baixo”, ressalta a especialista.

Diagnóstico

No Brasil, a triagem neonatal, em todo o país, para o hipotireoidismo congênito, tornou-se obrigatória desde 2001. Para que este exame seja efetivo na prevenção de complicações da doença, o ideal é que seja coletado em maternidades com 48 horas de vida do bebê, ou quando coletado nas UBS, entre o terceiro ou no máximo no quinto dia de vida.

“Importante lembrar que um teste do pezinho com resultado positivo não define que o bebê realmente é afetado. Esta criança deve ser rapidamente submetida a outro exame, o teste confirmatório, que definitivamente determinará se o bebê é afetado ou não, com rápido início do tratamento para os casos afetados”, conclui a endocrinologista.

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