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Deserto da Judéia: onde a água vale mais do que o ouro

Por Paulo Panayotis

Massada Deserto da Judeia Israel

Massada. Deserto da Judéia/Israel. Sabe aqueles filmes de ficção científica? Pois é assim que me sinto quando desço do teleférico que leva à fortaleza de Massada. Encarapitada no topo de um platô, a mais de meio quilometro de altura, nada cresce no alto desta montanha de rocha.


Como eles conseguiram? A reflexão é comigo mesmo. Refiro-me aos cerca de mil judeus que construíram ali um complexo de muralhas que cercavam um palácio e várias outras construções. Mais impressionante ainda é que tudo isso foi feito pelos judeus sob as ordens de Herodes, o Grande, no ano de 30 A.C. Naquela época toda a Judéia fazia parte do império Romano. O cenário é ao mesmo tempo inóspito e deslumbrante. À minha frente, milhares de anos de história. Ao meu redor, o deserto da Judéia. E lá em baixo, o mar morto! A água, me conta um guia local, vinha da chuva. Grandes cisternas a céu aberto se encarregavam de levar o precioso líquido para reservatórios escavados na rocha pura. Mais rara que ouro, a água era a diferença entre a vida e a morte. Hoje, séculos após, ainda é!


Durante mais de 40 anos estes judeus resistiram a tudo: ao sol, as severas estiagens, a falta de comida. Mas não resistiram às legiões romanas. Enquanto ando por esta terra arrasada, tento imaginar como era viver aqui. Confesso que tenho dificuldades. Mesmo observando os banhos ali construídos, as saunas, as casas comunitárias, as imagens se embaralham em minha mente e começam a ruir quando penso na dificuldade de sobrevivência neste lugar esquecido por todos. Por todos menos pelos Romanos.

Saunas e banhos em local improvável

Como prova de força do império, milhares de homens foram mandados por Roma para “tomar” Massada. Por que? Se nada cresce aqui? Se não há minérios ou qualquer outra fonte de riqueza? Simplesmente para Roma reafirmar sua soberania, responde o guia. Fico imaginando como 900 homens seguraram duas legiões romanas, com 13 mil homens, por quase três anos! Ao final, sem água e sem comida, tomaram uma decisão que entraria para a história de Israel e do mundo. Ao invés de capitularem, de se entregarem, se suicidaram! Escavações evidenciam isso. Hoje, Massada é um dos mais fascinantes destinos de Israel. Ao menos para mim! Não é a toa que é patrimônio da Unesco.

Teleférico, a forma mais rápida e confortável de subir

Antes dos teleféricos, o acesso era muito difícil. Agora, no entanto, a moderna estrutura executa a tarefa em poucos minutos. Só a subida já é emocionante. Em meio ao nada, surge ao longe o Mar morto. De repente você desembarca em meio a pura história. O quê? Você quer algo mais real? Então vá pelas trilhas a pé. A primeira, acompanha o bondinho, que passa por cima dos corajosos. É a mais, digamos, fácil! A segunda, pouco usada, chama-se a rampa romana. Quando estiver subindo entenderá o porquê. Brincadeiras à parte, prepare-se. Mesmo fora do verão, as temperaturas são altas durante o dia e congelantes depois que o sol se retira. Leve, obrigatoriamente, chapéu e protetor solar. Se esquecer, pode comprar no moderno centro de visitantes do Masada National Park.  Se não quiser gastar com guias, compre um mapa e saia para explorar o local. Há maquetes de bronze espalhadas que lhe darão a exata noção de como era tudo no tempo de Herodes. Detalhe: apesar de muito bem preservadas por conta do clima seco do deserto, muitas muralhas e  ruínas foram restauradas. Você verá linhas pretas cortando muitas construções. Tudo que estiver acima destas linhas foi restaurado, tudo que estiver abaixo é original.

Jornalista Paulo Panayotis com o mar morto ao fundo

Ah, e quando for visitar este incrível sitio arqueológico, aproveite e de um pulinho no mar morto. Ao contrário do que você imagina, há muita vida por lá... É que há um enorme complexo turístico com hotéis cinco estrelas para aproveitar a lama medicinal milenar do mar morto... Mas esta é uma outra história que eu escrevo em breve para vocês. Mais dicas? Vai lá no www.oquevipelomundo.com.br


Fotos: Paulo Panayotis e Adriana Reis


Paulo Panayotis é jornalista especialista em turismo, mergulhador e fundador do Portal OQVPM - O Que Vi Pelo Mundo. Mora na Europa, tem passaporte carimbado em mais de 50 países e viaja com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace e Alitalia.

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