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Coronavírus: pacientes com diabetes são casos mais graves

Atualizado: Jul 9

Professora da UNIFESP explica o motivo


Da Redação


O Ministério da Saúde apontou, em recente levantamento, que os casos mais graves do novo coronavírus, até agora, foram de pessoas com diabetes ou problema cardíaco. De acordo com estudo realizado pela Federação Internacional de Diabetes, no Brasil, existem 16,8 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos com diabetes, sendo o quinto colocado no ranking dos 10 países que mais têm pessoas com a doença. Estima-se que 90% destes indivíduos sejam portadores do diabetes tipo 2, que aparece, em geral, após os 40 anos de idade e que tem a obesidade como seu principal determinante.

Por que diabéticos estão entre grupos mais vulneráveis ao coronavírus?

Para a Dra. Maria Teresa Zanella, professora titular em endocrinologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), tem sido observado que pacientes portadores de diabetes infectados com o coronavírus têm maior risco de desenvolverem quadros graves e necessidade de cuidados mais intensivos.

“Pacientes diabéticos, de um modo geral, são mais propensos a desenvolver quadros infecciosos, em particular, infecções respiratórias, e este fato tem sido atribuído a uma deficiência na resposta imunológica, necessária para que organismo possa se defender dos agentes infecciosos. Esta deficiência, por sua vez, tem sido atribuída à elevação do açúcar no sangue, que impede que o sistema imunológico responda adequadamente a um agente invasor”, explica.

Segundo Zanella, a resposta imunológica, por si só, já é comprometida pelo avanço da idade e, assim, pacientes diabéticos idosos, são aqueles que apresentam maior probabilidade de complicações, principalmente se estiverem apresentando níveis elevados de açúcar no sangue. Já crianças e adolescentes portadores de diabetes correm menor risco, a não ser que apresentem outras complicações do diabetes.

Profa. Dra. Maria Teresa Zanella

O mais preocupante é que 46% dos indivíduos afetados não sabem ser portadores de diabetes, o que aumenta a chance de estarem com níveis de açúcar no sangue mais elevados (hiperglicemia) e a chance de infecções mais graves. Além disto, a hiperglicemia, presente no decorrer de anos sem ser diagnosticada, aumenta a probabilidade das chamadas complicações crônicas do diabetes. As principais decorrem de alterações nas paredes das artérias que favorecem fenômenos obstrutivos prejudicando a irrigação e oxigenação de órgãos vitais como o coração, cérebro e rins, predispondo a quadros de infarto, derrame e insuficiência renal, condições que também se mostraram associadas ao pior prognóstico nas infecções pelo coronavírus.”, esclarece Zanella.


A médica endocrinologista ainda alerta que a preocupação não deve ser somente com o diabetes, mas também com a obesidade. “O diabetes tipo2 associa-se a outras condições que também decorrem do excesso de peso, como apneia do sono, e hipertensão arterial. Assim, não só o diabetes, mas a obesidade também é fator de complicações do coronavirus”.


Dra. Maria Teresa Zanella ainda recomenda que os pacientes no grupo de risco, devem redobrar os cuidados com a saúde durante a pandemia, adotando o isolamento social e os cuidados com sua higiene pessoal. A adesão aos medicamentos é crucial. Pacientes diabéticos em particular, se possível, devem medir a glicemia em casa, usando o glicosímetro com maior frequência e observando a dieta com mais rigor, para que os níveis da glicemia se mantenham dentro das metas preconizadas. Pacientes hipertensos, se puderem, devem medir a pressão arterial em casa com maior frequência também. Recomenda-se que o médico seja contatado em caso de descontrole da pressão arterial ou do diabetes.

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