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Comprou pacote, passagens aéreas, reservou hotel e tudo foi cancelado: o que fazer?

Por Paulo Panayotis


São Paulo – SP. Tinha acabado de voltar do Reino Unido, onde morei por muitos anos. A volta ao Brasil trouxe uma série de sentimentos: comer pão crocante com manteiga, tomar caipirinha antes de uma bela feijoada! E pão de queijo então? Vixe... Mas após alguns meses, tudo virou rotina e eu tive que voltar para Londres. Para prestigiar as “empresas locais brasileiras” acabei comprando uma passagem aérea na classe Premium com uma destas tais empresas online. Feliz por estar ajudando meu país e pelo valor muito razoável que paguei, só me restava esperar pelo embarque. Mas, alguns dias depois, um e mail me deixou atônito: “Sr. Panayotis temos a honra de informar ao senhor que o seu voo foi cancelado. Em compensação, estamos oferecendo ao senhor um UP GRADE, em outra companhia aérea, para passagens na classe executiva.” Inicialmente fiquei feliz: meu país finalmente evoluiu, pensei antes de terminar de ler o e-mail. “O senhor APENAS terá que pagar a diferença tarifária, no valor de R$ 18.797,23!” Desmoronei! Como assim? Comprei passagens aéreas, paguei e esperava viajar.

Procure sempre comprar passagens aéreas diretamente nas companhias

Para cancelar, foi um drama, e somente me reembolsaram quando ameacei fazer uma reportagem sobre a empresa. Refiro-me à Decolar. Claro que você, amigo leitor, já passou por algo parecido, certo? Pois eu nunca mais comprei passagens aéreas ou fiz outro tipo de reserva sem ser diretamente nos fornecedores do serviço. E tudo piorou depois da pandemia de Corona vírus. Por isso, o governo brasileiro editou a Lei 14.046/2020. O objetivo? Atenuar os problemas causados pelos cancelamentos sem prévio aviso. Assim, segue abaixo, um pequeno resumo para você fugir de tais micos e saber quais são seus direitos.

Petronas Tower, em Kuala Lumpur, Malásia: imaginou comprar pacote e ser cancelado?

Antes de mais nada, saiba que pela lei você tem direito de que todos os serviços cancelados sem justificativa sejam remarcados nos mesmos moldes e categorias pela empresa que lhe prestou (vendeu) os serviços (pacotes, passagens, etc) ou que sejam fornecidos créditos equivalentes. Acontece que, também pela lei, esses créditos e serviços tem que ser utilizados, necessariamente, até o dia 31 de dezembro deste ano, 2022! Mas já vou avisando que não vai ser fácil.

Navios de cruzeiro frequentemente cancelam viagens no Brasil

Primeiro, você tem que tentar até a exaustão negociar com a empresa. Depois, se não der certo (junte todos os e-mails e documentos) entre no PROCON de sua cidade. Não resolveu ainda? Justiça. E neste caso, vale lembrar que você terá direito a além de restituir tudo que pagou, processar a empresa por perdas e danos. Mas o advogado quem paga, lógico, é você. Por isso amigo leitor, recomento fortemente e mais uma vez: não compre nada de empresas online.

Trem Eurostar, que liga Londres a Paris: compre diretamente na companhia

Se possível, compre de empresas estabelecidas, com lojas físicas, onde você terá alguém para estrangular, digo, para reclamar. E apenas faça isso se você conhecer muito bem a empresa e já tiver adquirido algum serviço de viagem com eles anteriormente. Caso contrário, sinto muito lhe informar que você vai planejar, sonhar, esperar e, na hora “H” muito provavelmente vai ficar chupando o dedo. Portanto, já sabe: comprar passagem aérea na companhia pode até ser um pouco mais caro, mas é garantido. Se o voo for cancelado, seguramente você será colocado em outro. Hotéis a mesma coisa. Excursões, idem. Melhor uma passagem na mão do que um passageiro chorando, né? Ah, e claro, faça um bom seguro viagem que cobre praticamente tudo: inclusive cancelamentos, sacou?

Jornalista Paulo Panayotis na beira do Bosphoro, Istambul, Turquia

Fotos: Paulo Panayotis | Adriana Reis ©oqvpm


Paulo Panayotis é jornalista especialista em turismo, mergulhador e fundador do Portal OQVPM - O Que Vi Pelo Mundo. Mora na Europa, tem passaporte carimbado em mais de 50 países e viaja com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace e Alitalia. O jornalista se hospedou a convite do grupo Maisons & Hotels Sibuet representado no Brasil pela AD Comunicação

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