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Comigo, ela o traía, com ele, ela me traía

Por Fernando Jorge


Foto: stetsik

Recebi de amável leitora uma carta que me impressionou muito. Reproduzo as palavras dessa leitora:


“Escritor e jornalista li com grande interesse os seus dois últimos livros, os romances Eu amo os dois, publicado pela editora Novo Século, e o romance Eu amo muito Júlia, publicado pela editora Vermelho Marinho. No primeiro o senhor descreve a sua paixão por uma jovem. Portanto é um romance autobiográfico. E no segundo o senhor narra a história de um homem apaixonado pela sua esposa e que a vê transformar-se em homem, com o sexo dele. Ela chama Júlia e vira Júlio. Os dois romances prenderam a minha atenção até o fim, não pude largá-los.”


Em seguida a amável leitora acrescentou:


“Impressionou-me muito a semelhança da sua história de amor pela jovem. O senhor não quis mais vê-la depois que ela estava também namorando um primo. Comigo, ela o traía, com ele, ela me traía. E sabe por que, escritor Fernando Jorge? Porque a mãe não parava de lhe dizer, minha filha, namore sempre dois rapazes, pois se um escapar você ficará garantida com o outro.”


Amável leitora, vou apenas dizer: certas mães, em vez de miolos, têm titica de galinha na cabeça.




Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.


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