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Casos de racismo e homofobia ainda são frequentes no futebol

Por Roberto Maia


O clássico entre Corinthians e São Paulo disputado no domingo, dia 14, na Neo Química Arena foi marcado mais uma vez por cantos considerados homofóbicos por parte da torcida corinthiana.


O árbitro do jogo, Bruno Arleu de Araújo, interrompeu a partida no segundo tempo por conta do ocorrido, que teve início já antes da bola rolar e em diversos outros momentos. O placar eletrônico da arena alvinegra pediu várias vezes aos torcedores cessarem os cânticos. Em vão. Ao contrário, a Fiel gritava ainda mais alto: “Vamos, vamos Corinthians, dessas bichas teremos que ganhar”.


Araújo relatou o ocorrido na súmula do jogo e o Corinthians será enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata sobre "praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência."


Caso seja condenado o Timão terá que pagar multa de R$ 100 a R$ 100 mil. O que sairá barato, pois a punição pode ser ainda maior. O clube pode perder três pontos no Brasileirão e até mandos de jogos. O Ministério Público de São Paulo também abriu uma investigação sobre o ocorrido.

Como sempre acontece, a torcida do Corinthians provocou o São Paulo com cantos homofóbicos durante o jogo na Arena Neo Química. (Foto: Tino Simões)

No ano passado também houve cantos homofóbicos no Majestoso e o caso chegou ao STJD. O Corinthians recorreu e se livrou de punição em troca do pagamento de R$ 40 mil, sendo metade do valor destinado a quatro instituições assistenciais.


A situação não irá mudar tão cedo. Há décadas as torcidas adversárias se ofendem sem que nada fosse feito. É preciso educar os torcedores antes de punir os clubes. Aliás, entendo que quem deve ser punido é quem age de maneira preconceituosa e ofensiva.


Porém, cabe aos clubes e também às entidades que comandam o futebol brasileiro, casos das Federações estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), investirem em um amplo programa para educar os torcedores. Bem como atuar efetivamente para identificar e punir quem praticar as ofensas.


Infelizmente, os casos de racismo e homofobia por parte de torcedores ainda são frequentes no futebol brasileiro. Em 2022, o Anuário do Observatório do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ registrou 74 casos de homofobia (dentro e fora de campo). Houve um aumento de 76% dos casos com relação a 2021, quando foram 42.


Segundo o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, a luta contra a discriminação no futebol é uma das prioridades da sua gestão.


"O trabalho mostra uma triste realidade, que estamos lutando para acabar no futebol. A CBF vai sempre combater os preconceitos e trabalhar para que o futebol seja um lugar de inclusão", afirmou.

O placar eletrônico da arena corinthiana pediu várias vezes aos torcedores cessarem os cânticos. (Reprodução/Premiere)

Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.


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