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Cale a boca, jornalista!

Por Fernando Jorge

Imagem: Redação JBA

Estou muito grato aos meus leitores, devido ao sucesso da sétima edição, lançada pela Editora Novo Século, do meu livro Cale a boca, jornalista! Descrevo nessa obra as barbaridades infligidas a jornalistas brasileiros, desde a época de D. Pedro I e José Bonifácio.


Centenas de alunos dos cursos de Jornalismo adquirem esse livro e por causa disso sou frequentemente convidado a pronunciar palestras em tais cursos.


Fui obrigado a lançar a obra sob proteção policial, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, por causa dos fanáticos admiradores de Carlos Lacerda. Eles queriam me agredir, porque provei, no livro, que Lacerda, quando era governador do estado da Guanabara, procedeu como um nazista, pois mandou apreender o Correio da Manhã e outros jornais. A razão do ato de arbítrio: esses jornais pregavam o retorno e a posse de João Goulart na presidência da República.


É interessante observar que a Tribuna da Imprensa, anos depois, publicou uma ampla reportagem sobre o meu livro Cale a boca, jornalista!, afirmando que a violência de Lacerda, descrita por mim é incontestável, pura verdade. Este jornal era do Lacerda.


No meu vitorioso livro Cale a boca, jornalista!, esmiuço os porões do ditador Emilio Garrastazu Médici. Descrevo os suplícios bárbaros, as torturas monstruosas infligidas aos jornalistas Rodolfo Konder, Maurício Azedo, Vladimir Herzog, Miriam de Almeida Leitão Netto, Renato Oliveira da Mota, José Augusto Pires, Antonio Carlos Fon, Frederico Pessoa da Silva.


Provei, nesse meu livro, que da ação de órgãos de segurança, como a OBAN, o DOI-CODI, o CIEX, o DOPS e vários outros, surgiu um Estado policial, opressor e repressor. E mais ainda, que as torturas, após o Golpe de 1964, assemelharam-se às dos nazistas do III Reich de Adolf Hitler e às dos juízes espanhóis da Santa Inquisição do sádico Torquemada.


Concluindo, sou grato ao jornal O Estado de S.Paulo, pelo seus textos sobre a sétima edição do Cale a boca, jornalista!



Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.