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Cássio merece respeito e reverência da torcida do Corinthians

Por Roberto Maia


O Corinthians estreou na Copa Libertadores de 2022 perdendo para o Always Ready em La Paz, na Bolívia. Sem levar em consideração os 3.600 metros de altitude da capital boliviana, que faz a bola ganhar velocidade e causa falta de ar em quem não está acostumado, a torcida corinthiana não aceitou a derrota. Revoltados os torcedores foram às redes sociais e bradaram que faltou raça ao time.


Na quinta-feira (7), uma comitiva com 14 integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel foi ao Centro de Treinamento do Corinthians para mais uma reunião com dirigentes, comissão técnica e jogadores. Como sempre acontece, a entrada foi liberada pela diretoria corinthiana e a conversa aconteceu. Segundo o presidente da Gaviões, o grupo foi pedir mais empenho e raça dos jogadores nos jogos.


Há quem defenda essas reuniões, da mesma forma que outros acham inadmissível os torcedores entrarem no local de trabalho dos jogadores para dar bronca. Se está certo ou errado, o fato é que não é de hoje que presidentes do Corinthians permitem essas conversas. Algo impensável no futebol profissional praticado na Europa, por exemplo.


Como tudo hoje em dia, o assunto repercutiu rapidamente nos sites e mídias sociais. Talvez por isso, outros torcedores também se sentiram no direito de cobrar e até ameaçar de morte ídolos do clube como o goleiro Cássio, o zagueiro Gil e o meia-atacante William, além do presidente Duílio Monteiro Alves. E não apenas eles. Os valentões da internet também ameaçaram esposas e filhos dos atletas.

Foi o sexto título conquistado no Allianz Parque, sua arena inaugurada em 2014. Os outros títulos foram em 2015 (Copa do Brasil), 2016 (Campeonato Brasileiro), 2020 (Campeonato Paulista e Copa do Brasil) e a Recopa Sul-Americana 2022.


Embora o conjunto de jogadores do Palmeiras tenha realizado uma partida impecável, dois nomes se destacaram: Dudu e Raphael Veiga. O camisa 7 do Verdão se tornou o maior campeão do Verdão neste século, agora de forma isolada, chegando ao oitavo título. Contratado em 2015, o baixinho disputou 349 jogos, marcou 77 gols e concedeu 84 assistências.


O outro destaque do jogo foi Raphael Veiga, jogador que já fez por merecer uma chance na seleção brasileira comandada por Tite, que já insinuou que lhe daria oportunidade, mas não o convocou nenhuma vez. Com os dois gols marcados na decisão, ele consolidou a condição de artilheiro do time no Paulistão com sete bolas na rede.

Há 10 anos no Corinthians, Cássio foi protagonista nas conquistas mais importantes do clube. (Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)

No caso de Cássio, um dos maiores ídolos da história contemporânea do Corinthians, as ameaças foram feitas através do Instagram. Áudios e uma foto de uma arma sobre a camisa do Timão foram enviados para o personal trainer da esposa do goleiro, que também foi alvo de ofensas.


Será que esse e outros torcedores radicais já esqueceram da história vitoriosa de Cássio no Corinthians? E das conquistas em que ele foi o protagonista? Há 10 anos no clube, o camisa 12 levantou nove taças nesse período: Copa Libertadores (2012), Mundial de Clubes (2012), Recopa Sul-Americana (2013), Brasileirão (2015 e 2017) e Campeonato Paulista (2013, 2017, 2018 e 2019).


Com 34 anos, titular absoluto e capitão do time, Cássio completou 577 jogos pelo Corinthians na estreia do Brasileirão domingo passado. Ele já é o sexto jogador que mais atuou pelo Timão, atrás apenas de Biro-Biro (590), Zé Maria (598), Ronaldo Giovanelli (602), Luizinho (606) e Wladimir (806). Se nada acontecer, ele fechará o ano na segunda posição.


Os números falam por si e Cássio merece todas as reverências por parte dos torcedores. Claro que em alguns jogos ele falhou, mas o seu saldo é amplamente positivo. E cabe somente ao treinador decidir se o mantém como titular ou se o retira do time para deixá-lo na reserva.


Apesar de tudo o que aconteceu, Cássio segue no Corinthians e foi a campo no domingo contra o Botafogo, no Rio de Janeiro. Após o jogo, o goleiro deu entrevistas onde lamentou a situação que gerou pânico entre seus familiares. Ele disse que boatos deram início à onda de ódio contra ele e outros líderes do time, sobre uma suposta "panelinha" que queria derrubar o técnico Vítor Pereira. “Fiquei chateado com as pessoas envolverem meu nome com panela, time rachado e outras coisas, isso não existe no Corinthians. Respeito a crítica, sou ser humano, erro, mas jamais vou me sentir maior que a instituição”, disse.


Tudo indica que Cássio seguirá atuando pelo Corinthians, bem como William e Gil. Mas nem sempre foi assim. Outros ídolos da história corinthiana também foram ameaçados e até agredidos por torcedores. Casos de Rivelino – na minha opinião o maior jogador da história do Corinthians -, Edilson, Carlitos Tevez, Roberto Carlos, Emerson Sheik e Paolo Guerreiro somente para citar nomes mais importantes. E ouso afirmar que Ronaldo Fenômeno optou por encerrar a carreira em um momento de muitas críticas da torcida contra os jogadores.


A torcida do Corinthians sempre tão elogiada pelo papel decisivo que desempenha, não pode permitir que alguns poucos ameacem e agridam os ídolos que contribuíram nas conquistas e entraram para a história centenária do clube.

Após mais de uma década jogando na Europa, William voltou ao Corinthians, clube que o revelou para o futebol. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Roberto Maia é jornalista, cronista esportivo e editor do portal travelpedia.com.br