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As sandálias de Cristo

Por Fernando Jorge

Imagem: Freepik

Em Prum, na Alemanha, abriu-se o precioso cofre contendo as sandálias de Cristo. Essa relíquia pertencia ao papa Zacarias, o qual, no ano de 752, fez presente da mesma ao rei Pepino, o Breve, que, por seu turno, a ofertou à Abadia Beneditina de Prum.


As sandálias de Jesus!


Que outra relíquia, no universo, terá mais valor?


O chapéu que Napoleão trazia na batalha de Eylau foi arrematado em Paris, pelo médico Lacroix, no dia 1º de dezembro de 1823, por mil e novecentos francos. Oitenta e dois competidores o disputaram.


O traje que Carlos XII da Suécia envergava no dia da batalha fatídica de Poltava, foi vencida, no ano de 1825, em Edimburgo, por vinte e duas mil libras.


A cadeira de marfim que ofereceram a Gustavo Vasa, na cidade de Lubeque, acabou sendo adquirida por cinquenta e nove mil florins.


Napoleão abafou as insurreições contra a República, venceu os mamelucos, conquistou o Cairo e Alexandria, bateu os turcos no Monte Tabor. Exterminou as tropas austríacas em Marengo e as russas em Austerlitz. Apoderou-se da Lemanha e escravizou a Prússia. Invadiu a Espanha e Portugal. Prendeu o Papa. Suas águias, impávidas e soberbas, sobrevoaram todos os horizontes da Europa, da Ásia e da África.


Que resta do poder de Napoleão?


Carlos XII, rei da Suécia, derrotou os polacos e os dinamarqueses.


Que resta desse inimigo dos otomanos?


Gustavo Vasa também lutou contra os dinamarqueses e sustentou uma guerra contra a pátria de Pedro, o Grande.


Em qual região impera agora a fama desse terrível adversário do clero e adepto fanático da Reforma?


Onde se encontram os invencíveis exércitos desses orgulhosos soberanos? Os súditos obedientes de suas cortes? A ostentação, a força, o respeito que impunham? Em nenhum lugar, pois viveram e morreram pregando o Ódio, enquanto Cristo fez de sua passagem pela terra um rastro de luz, através do qual os homens podem atingir as estrelas e contemplar, tranquilos, a Eternidade.


Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.