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Armas de incapacitação, preservando a vida

Por Coronel Camilo


Preservar, proteger a vida. Essa sempre foi a preocupação da Polícia Militar de São Paulo, pois é a razão da sua existência. Assim tem trabalhado, ao longo do tempo, desenvolvendo técnicas e métodos para que a vida seja preservada e isso não exclui a vida do infrator da lei. Os confrontos entre policiais e infratores sempre foram um problema. Há perda de muitas vidas, tanto do lado policial, quanto do lado dos infratores da lei. Sabiamente, o Coronel da Polícia Militar Nilson Giraldi, um exímio atirador e campeão de tiro prático, já na reserva, colaborou no desenvolvimento de um método de tiro que tinha como finalidade preservar a vida. Parece incoerente, mas não é. Surgiu o Método Giraldi de Tiro, o chamado Tiro de Preservação da Vida.


Utilizado até hoje na Polícia Militar de São Paulo, nas principais polícias brasileiras e adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das soluções para países onde há muitos confrontos entre as forças policiais e os infratores. Consiste num treinamento de uso progressivo da força, começando com a verbalização com o infrator até o uso da força letal, como última opção e em caso de extrema necessidade. Recentemente, o governo de São Paulo adquiriu, neste mês, 3.125 novas armas de incapacitação neuromuscular para a polícia, as vulgarmente conhecidas como “armas de choque”. São armas que possibilitam a imobilização do infrator ou agressor, descarregando um eletrochoque de 50.000 volts, a uma distância média de 4 metros, permitindo que o policial imobilize o infrator.


A arma de incapacitação neuromuscular, que também pode ser utilizada em contato direto com o infrator, nesse caso com voltagem menor, apenas 5 mil volts, evita que o policial tenha que usar a arma letal, principalmente quando o infrator ou agressor esteja utilizando uma arma branca ou qualquer outro objeto para ofender o cidadão ou o próprio policial. Isso é possível porque o infrator atingido perde toda a capacidade muscular, porém continua plenamente consciente. Agora, a polícia de São Paulo passa a ter 7.500 armas de incapacitação neuromuscular.


É a terceira força policial no mundo com o maior número de armas desse tipo, perdendo apenas para Londres, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos. Mais serão adquiridas, porque a ideia é sempre preservar a vida. A Polícia Militar de São Paulo continua, com a utilização deste armamento, cumprindo a sua missão de proteger a vida, incluindo a do infrator da Lei, que deve ser preso e levado à justiça.


Coronel Camilo é secretário-executivo da Polícia Militar. É formado em Administração de empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.