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  • Redação JBA

Alteridade, peça que estreia em abril, fala sobre o abuso da mulher

Com direção de Gabriel Miziara e texto de Maria Giulia Pinheiro, a voz de uma mulher estuprada e sua trajetória de restabelecimento são o ponto de partida para a discussão sobre a ética que nos rege

No elenco estão as atrizes Carolina Fabri e Marina Vieira (Imagem: Divulgação)

Na peça Alteridade, que estreia dia 16 de abril, a voz de uma mulher estuprada e sua trajetória de restabelecimento são o ponto de partida para a discussão sobre a ética que nos rege. O espetáculo é o jogo cênico entre as artistas, o novo meio de comunicação que a pandemia impôs - o teatro online e o texto homônimo de Maria Giulia Pinheiro.


Durante sete unidades dramáticas denominadas “círculos”, a personagem narra a violência a que foi submetida, a tentativa de se restabelecer, a notícia da gravidez, a opção do aborto, a culpa, a ilegalidade de escolher, a dissociação entre lei e corpo e o rompimento com a velha mitologia patriarcal. A voz dessa mulher perpassa as diversas camadas da Sociedade do Estupro e vai, pelo arquétipo de Alteridade, encontrando aberturas para a reconstrução de si.

Ela tenta se restabelecer, encontrar um jeito de se sentir bem no mundo, um espaço seu. Ela vive a dor do trauma, colocando pra fora a violência que viveu, e nessa experiência, acaba rompendo com a velha lógica patriarcal na qual vivia. Um assunto essencial, em um país que tem 50 mil casos de estupro por ano.

Falar sobre a violência contra a mulher é algo urgente. A cada 8 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Muitas mulheres não conseguem falar sobre a violência sofrida, tanto se faz ainda mais urgentes atos de criação como Alteridade, onde a voz de uma pode ser a voz de todas. A peça é um grito que necessita ser ouvido e compartilhado para que possamos caminhar em direção à quebra deste pacto de silêncio que permite que mulheres ainda estejam vulneráveis à violência que ocorre diariamente.

É uma proposta de entendimento deste eu/outro, que não se livra deste ato à partir da negação do fato e sim no mergulho profundo no mesmo, para que desta fricção, desta relação intercambial que a alteridade traz, possa surgir/ser algo além do binômio vítima/algoz.


Ficha Técnica

Texto: Maria Giulia Pinheiro

Direção: Gabriel Miziara

Elenco: Carolina Fabri e Marina Vieira

Produção: Canto Produções

Fotos: Vinícius Berger


Serviço

Alteridade

Apresentações 16,17, 18, 23,24 e 25 de abril.

Sextas e sábados às 20h e domingos às 18h.

Na plataforma Sympla

Classificação etária: 14 anos

Duração: 35 minutos

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