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Alimentação saudável desde a infância

Por Rede D'Or

Imagem: Freepik

É na infância que começamos a criar hábitos alimentares. Por isso, a introdução de comidas aos pequenos é um momento de questionamentos para muitos pais: o que eles podem ou não comer? Será que determinado ingredientes vai causar alergia? São muitas dúvidas e, em tempos de fácil acesso às informações (nem todas confiáveis), o desafio de definir uma boa rotina para os filhos tende a se tornar ainda maior.


O café está muito presente no dia a dia de vários adultos. E, ao ver as “pessoas grandes” saboreando a bebida, é normal que os pequenos fiquem curiosos e queiram experimentá-la. A bebida não é proibida para crianças com mais de dois anos, mas deve ser ingerido com cautela e moderação. A recomendação é que antes dos seis anos o consumo seja esporádico e o pequeno beba, no máximo, meia xícara de café, preferencialmente com leite e pela manhã.


Nunca é demais lembra que o consumo excessivo de açúcar está associado a problemas como obesidade, cáries e diabetes. Portanto, alimentos e bebidas açucaradas não devem ser oferecidos antes dos dois anos. E isso vale para os adoçantes dietéticos (que não têm calorias ou têm poucas calorias). Antes de completar dois anos, os pequenos ainda estão adquirindo um paladar próprio, fazendo escolhas e entendendo o que gostam e o que não gostam. Alimentos e bebidas adoçadas artificialmente (com açúcar ou adoçante) podem atrapalhar esse processo.


“O sabor exageradamente doce altera a percepção de paladar e faz com que alimentos naturalmente adoçados, como as frutas, se tornem aguadas”, explica Carolina Toscano, pediatra do Hospital Esperança Olinda, em Pernambuco e que faz parte da Rede D’Or.


Após os dois anos, em casos de crianças com diabetes, pré-diabetes ou outras exigências dietéticas em que o consumo de açúcar não é recomendado, a especialista indica o uso de adoçantes naturais, como stévia, eritritol e xilitol, sempre com orientação do pediatra ou de nutricionista. Mas o ideal mesmo é evitar o uso de açúcar e adoçantes o máximo possível (para qualquer criança), inclusive após os dois anos, e preferir opções naturais.


A comida japonesa está cada vez mais popular no Brasil e pode despertar a curiosidade infantil. Assim como os frutos do mar, o peixe cru pode ser oferecido aos pequenos, mas é preciso garantir que houve todos os cuidados para a preservação do alimento desde sua origem, armazenamento, resfriamento e preparo. Motivo: a imunidade das crianças ainda não é completamente desenvolvida e qualquer contaminação pode causar problemas mais graves.


Um recado que nunca é demais dar quando o assunto é alimentação infantil. Pela praticidade, muitos pais acabam comprando salgadinhos, bolinhos, bolachas, balas, chocolates, bebidas lácteas, sucos, refrigerantes e outros alimentos industrializados para que o filho coma no recreio da escola ou no lanche da tarde. Mas, ainda que uma vez ou outra esses alimentos não prejudiquem a saúde, caso o consumo se torne hábito, essas escolham podem impactar na qualidade de vida e na saúde da criança.


Uma publicação do Ministério da Saúde em 2020 relaciona o aumento do consumo de ultraprocessados à prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil. Segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde) de 2019, 15% das crianças com menos de 5 anos estão com excesso de peso, sendo que 7% delas apresentam obesidade. Na faixa etária entre 5 a 9 anos, 28% têm excesso de peso e 13% estão obesas -entenda os perigos da obesidade infantil e mitos que atrapalham seu tratamento.


“Muitos alimentos industrializados, refrigerantes e sucos artificiais são ricos em açúcar, corantes e aditivos químicos que fazem bastante mal à saúde das crianças. O excesso de açúcar e de outros carboidratos refinados pode favorecer a obesidade infantil, diabetes tipo 2, insônia ou agitação e ainda alterações no esmalte dentário”, explica a pediatra Carolina Toscano.