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Ai, como sou bruto, intolerante, preciso me corrigir!

Por Fernando Jorge

Crédito: Reprodução

Ao longo da minha vida de escritor e jornalista, nunca me considerei perfeito. Se erro, logo confesso, errei. Aliás, é filosofia barata, primaria, dizer isto, “ninguém é perfeito. Se até o Sol, estrela de quinta grandeza, tem manchas, e é chamado de “rei dos astros”, quem somos nós, seres humanos imperfeitos, para afirmarmos cheios de orgulho, a estourar de orgulho, “admirem-se, sou perfeito, uma perfeita maravilha da natureza”.

Recebi uma carta assinada por um tal W. S. Victor S., evidentemente um nome falso, inventado, onde o seu autor escreveu estas linhas:


“Senhor Fernando Jorge, o senhor é um arrogante, metido a sabichão, um intolerante vaidoso. Acha que é dono da verdade, e por este motivo eu o desafio a apontar erros em alguns verbetes, redigidos por mim, para um dicionário.”


E o senhor W. S. Victor S. enviou-me a cópia desses verbetes. No verbete sobre o general Miguel Costa, um dos comandantes da Coluna Prestes, informa que ele nasceu em São Paulo. Completamente errado, Miguel Costa nasceu na Argentina, em Buenos Aires, no dia 3 de outubro de 1874, segundo informa o volume II do Dicionário histórico-biográfico brasileiro, publicado pela Fundação Getulio Vargas.


Outro verbete errado, redigido pelo W. S. Victor S., o verbete sobre o nosso imperador D. Pedro II. O seu texto informa que houve no Brasil o Primeiro Império e depois o Segundo Império. Mentira, erro berrante, o Império no Brasil foi só um, proclamado em 1822 por D. Pedro I, e findo em 1889, com a proclamação da República pelo marechal Deodoro da Fonseca. O que houve aqui foi o Primeiro Reinado, de D. Pedro I, e o Segundo Reinado de D. Pedro II. Entendeu, ridículo senhor W. S. Victor S.? Gostou da minha surra de natureza cultural? Ai, como sou bruto, intolerante! Preciso me corrigir!



Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.

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