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A razão está no equilíbrio, precisamos exercitar a gentileza

Por Coronel Camilo


Assistimos, neste último mês de outubro, a um radicalismo muito além do que poderíamos imaginar. Pessoas se agredindo e até se matando apenas por divergências de pensamento e o principal delas foi por questões políticas. É como se o ser humano tivesse perdido totalmente a sensatez, o poder de argumentar e, principalmente, de ouvir e aceitar posições contrárias, respeitando a opinião de outras pessoas. Pessoas que não comungavam da mesma forma de pensar eram tidos como inimigos e deveriam ser eliminados. A que ponto chegamos!

A pandemia também colaborou para essa questão. É como se o radicalismo e a agressividade existente em muitas redes sociais saíssem do mundo virtual para o mundo real. Os alunos estão mais agressivos - segundo pesquisa do Instituto Ayrton Senna, 67% dos estudantes se declararam nada ou pouco capazes de exercitar a competência Tolerância à Frustração -, pessoas mais intolerantes no trânsito, aumento dos crimes de desinteligência. Tudo isso é o reflexo da falta de resiliência do mundo atual, agravado pelo confinamento pelo qual passamos na pandemia.

Precisamos ter mais paciência, mais empatia, ser gentil, como diz a escritora e psicóloga Rosana Braga, em seu livro “O poder da gentileza”: “gentileza gera gentileza”, precisamos praticar a gentileza. Desta forma, criamos um ambiente melhor. Precisamos buscar mais qualidade de vida e colocar em prática boas ações pelo próximo. É o que se espera de uma sociedade civil organizada. Para não perdermos o hábito, são necessárias medidas que podem ser passadas de pai para filho, de irmão mais velho para irmão mais novo. A educação faz parte deste universo.

No dia a dia, devemos observar a rua e o bairro com outro olhar, não só como parte do problema, mas, principalmente, como parte da solução. Comunicar empresas e o Poder Público quando algo não funciona e não apenas reclamar pelos cantos, muito menos brigar por isso. Se existe buraco na via, ele pode ser reparado. Lixo em local irregular, mato alto, irregular queimada, devem ser comunicados aos órgãos competentes para que tomem providências.

Outra amostra é sobre direitos e deveres. No transporte coletivo flagramos jovens e adolescentes ocupando assentos em ônibus ou trens destinados às mulheres grávidas, aos deficientes, aos idosos ou pessoas com crianças no colo. Mesmo com o idoso de pé, o cidadão sequer tem a iniciativa de levantar, esquecendo-se que, futuramente, ele também vai necessitar de cuidados e precisará de uma vaga especial.

Nas filas, seja nos bancos ou nos supermercados, a situação se repete. Costumeiramente tem alguém querendo levar vantagem e passar na frente. Não é fácil lidar com a falta de gentileza nos dias atuais. Precisamos trazer a cidadania para dentro de casa, para a escola, para o trabalho, para a convivência social. O exercício da gentileza, sem sombra de dúvida, reduziria esse clima beligerante dos dias atuais.

Precisamos saber ouvir, respeitar a opinião de outras pessoas, saber argumentar e defender nosso ponto de vista com inteligência. Assim, todos crescemos como pessoas, como comunidade e teremos um mundo melhor. A razão está no equilíbrio, sempre!


Coronel Camilo é secretário-executivo da Polícia Militar. É formado em Administração de empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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