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A Morte é irmã da Saudade

Por Fernando Jorge

Crédito: Freepik

Sim, esta afirmativa é minha, a Morte é irmã da Saudade. Escrevo o nome das duas com maiúsculas, quando me lembro dos meus queridos mortos. Sou católico, mas possuo mediunidade desde menino. Acredito no kardecismo, pois já tive provas de que todos nós, seres humanos, somos espíritos materializados. Após a nossa morte, a alma sai do corpo e voa. E também acredito, sai do corpo durante certos sonhos. Podem me chamar de anormal. Pensando bem, a rigor, ninguém é completamente normal...

Apesar de crer, de modo firme, na sobrevivência da alma, sinto saudades imensas dos meus mortos queridos. Se pudesse vê-los de novo, em carne e osso, choraria muito, dominado pela mais profunda emoção.

Repito, a Morte é irmã da Saudade.

Quanta saudade dos meus pais mortos, dos meus irmãos mortos, dos meus parentes mortos, dos meus amigos mortos!

Saudade dos meus avós, da mãe do pai, do pai do meu pai.

Saudade do meu professor Manuel Gandora Mendes, que me incentivou a ser escritor.

Saudade do poeta Dalmo Florence, quando ele e eu fomos estudantes do Colégio Carlos Gomes, situado na avenida Paulista. Poeta de talento, Dalmo é o autor do poema “Maneco”, no qual ele diz:


“Maneco não era louco,

Nem se fazia passar,

mas sonhava com bicicletas,

andando em cima do mar...”


Do meu inesquecível e querido Dalmo Florence é esta belíssima afirmativa:

“O vermelho é o azul pegando fogo”.

Saudade da moça magrinha e pobrezinha, que me amava e me deu um livro muito caro.

Saudade do jornalista Leonardo Arroyo, redator da Folha de S.Paulo, que gostava de andar comigo, da minha companhia.

Saudade do meu amigo Ronaldo Côrtes, das nossas risadas, das nossas longas conversas na sua pequena sala.

Saudades da minha esposa morta, Artemisa Martela e dos seus pais mortos, da sua irmã morta.

Sim, sim, meus amigos, a Morte é irmã da Saudade.



Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.

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