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A incompreensível irritação de Abel Ferreira

Por Roberto Maia


O treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, apesar das conquistas e do bom futebol apresentado pelo Verdão em campo, parece nunca estar contente. E reclama de tudo em que ele acredita possa estar prejudicando o seu time. O português está sempre pilhado durante os jogos, em entrevistas coletivas e não pensa duas vezes para criticar a arbitragem. Tanto que coleciona advertências. Desde outubro de 2020 levou 45 cartões, sendo 39 amarelos e sete vermelhos.


Difícil entender a ira e a falta de controle emocional do português. Afinal ele segue firme no comando do Alviverde, diferentemente dos demais treinadores que vivem na corda bamba e ameaçados de demissão.

O mais recente ato de destempero de Abel aconteceu no domingo, após o empate com o Atlético-MG, pelo Brasileirão, em Belo Horizonte. Nervoso com o que ele chamou de “invasão de privacidade”, arrancou o celular das mãos do produtor Pedro Spinelli, da Globo. O jornalista estava no local designado para a imprensa no Mineirão e filmava a discussão entre o diretor de futebol do Palmeiras Anderson Barros e o quarto árbitro Ronei Cândido Alves.


Essa foi mais uma para a lista de atos onde o técnico palmeirense se exaltou. O português já chutou copos de água contra o banco de reservas adversário e até microfone de emissora de televisão. Discutiu com jogadores adversários e com jornalistas. Em entrevistas coletivas é comum vê-lo rebatendo de forma ríspida as perguntas dos repórteres. Essa postura agressiva e pouco tolerante com críticas ou questionamentos só contribui para criar um ambiente negativo em torno dele.

Abel Ferreira é intenso durante o jogo todo, inclusive durante comemoração de gol dos seus comandados. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

O treinador palmeirense tem demonstrado um nível de exaltação acima do aceitável, muitas vezes invadindo o campo, gesticulando e proferindo palavras ofensivas em direção aos árbitros. Entendo que essas atitudes criam um clima de tensão desnecessária nas partidas. Que afetam não apenas o próprio treinador, mas também a equipe e os torcedores.


Abel parece incapaz de controlar suas emoções, o que acaba prejudicando a sua imagem. Muito embora sua capacidade está comprovada no comando do elenco palmeirense. Mas, o treinador deve ser uma figura de liderança e exemplo para os jogadores.


Até entendo que a intensidade e a paixão demonstrada por Abel Ferreira seja apenas uma forma de proteger o time contra supostas injustiças. Mas não pode ultrapassar alguns limites.


Nos últimos meses muito se falou sobre a possível ida de Abel Ferreira para o comando da Seleção Brasileira. E eu acho um ótimo nome. E como tudo que acontece atualmente é em tempo real e com abrangência global, é preciso que o treinador busque controlar suas emoções e adotar uma postura mais equilibrada.


Compreendo que a pressão do futebol seja intensa, mas os treinadores precisam lidar com essas situações de forma profissional e respeitosa.


Torço para que Abel Ferreira consiga domar suas atitudes impensadas e buscar melhorar seu comportamento. Afinal, na minha opinião, ele é hoje o melhor treinador em atividade no País.

O treinador português não poupa críticas acaloradas contra os árbitros quando julga que seu time foi prejudicado. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros. Atualmente é editor da revista Qual Viagem e portal Travelpedia.


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