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A educação e os valores

Por Coronel Camilo


As pessoas, muitas vezes, menosprezam valores que foram passados pela família ou na escola para fazer suas vontades pessoais. Vivemos num mundo cada vez mais individualista, menos solidário. Percebe-se que as pessoas querem ganhar sempre, levar vantagem, serem espertas, mesmo que isso possa prejudicar o outro. Falta empatia. Faltam valores!


Para agravar esta questão, existe a potencialização dessas atitudes nas redes sociais, onde as pessoas parecem não ter limites, onde o bom senso deixou de existir, onde impera o radicalismo e, quando seus pontos de vista não são aceitos, parte-se para agressões que, muitas vezes saem do mundo virtual para a realidade da vida. Famílias se desfazem, irmãos deixam de se falar, grupos se enfrentam fisicamente.


Frequentemente somos surpreendidos com notícias de desrespeito aos idosos, às crianças, aos professores, aos deficientes e aos pais chegando ao absurdo de, contra eles, utilizarem-se de força física. E pior, a sociedade parece que se acostumou de tal forma a esses comportamentos que, algumas vezes, o consideram normal ou simples expressão da liberdade individual. Um grande equívoco.


Educar tem sempre dois grandes recortes: o ensino técnico, português, matemática, geografia, história etc. e a internalização de valores, que se dá pelo exemplo, pela disciplina, mas também pela discussão, em sala de aula de valores morais, éticos, de respeito ao próximo, às autoridades, aos pais, de trabalhar pelo bem comum. É preciso ensinar que temos direitos, sim, mas também temos deveres; que temos liberdade para fazer o que quisermos, mas somos responsáveis pelos atos que praticamos.


“Não há solução simples para problema complexo”, como sabiamente diz o General Campos, Secretário da Segurança Pública de São Paulo, e esse é um problema complexo, multifatorial. Contudo, uma das suas principais causas é a falta de atenção dada para a educação, onde alguns conteúdos, importantes para a formação das crianças e jovens, deixaram de existir, nos anos 90, como disciplinas, sob a alegação de que estariam transversalizados nas demais matérias. Isso raramente acontece.


Por mais que a família tente transmitir valores aos jovens, não se pode ignorar a realidade. Atualmente, mães e pais trabalham, restando-lhes pouco tempo para efetivamente transmitir conceitos de ética, moral e bons costumes aos filhos. Some-se a isso, o fato de muitos lares serem compostos por mães como única responsável pelo lar. Ademais, pais e mães, principalmente os mais jovens, podem, também, não ter recebido tais conceitos. E o que não é aprendido não pode ser transmitido.


Precisamos voltar a transmissão de valores para os bancos escolares, seja como disciplina, seja como espaços de discussão. Caso os jovens já tenham aprendido esses conceitos em seus lares, será um reforço, mas se nunca tiverem debatido o assunto, será um momento único e fundamental para se conhecer, difundir e internalizar valores, tornando-os pessoas completas, cidadãos de fato.


Quando Deputado Estadual elaborei um projeto para que isso fosse possível. Esse projeto teve o aval dos meus pares e do governo do Estado e se transformou em lei. Trata-se da Lei nº 16.890/2018, que institui o programa Lições de Ética e Cidadania no âmbito das escolas e instituições públicas e privadas dos ensinos fundamental e médio no Estado. A tentativa é trazer o debate de valores para dentro da sala de aula.


Se tivéssemos dado mais atenção à educação, provavelmente não teríamos essa grande crise moral pela qual passamos no país com desvios de recursos do auxílio emergencial, desvios de recursos da saúde, educação, habitação e, talvez tivéssemos enfrentando essa pandemia com mais responsabilidade, espírito comunitário, solidariedade.


Trabalhar na internalização de valores é fundamental, pois é uma das formas que contribui para a formação de verdadeiros cidadãos.


Coronel Camilo é secretário-executivo da Polícia Militar. É formado em Administração de empresas pelo Mackenzie, com bacharelado em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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