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A cultura do estupro: o lado sombrio do futebol

Por Roberto Maia

O mundo do futebol, tão idolatrado e aclamado por multidões, tem uma face sombria que muitas vezes é negligenciada: a cultura do estupro. Recentemente, dois nomes proeminentes do esporte brasileiro, Robinho e Daniel Alves, foram envolvidos em casos chocantes de violência sexual contra mulheres, lançando luz sobre um problema sistêmico que assola o esporte.


Robinho, ex-jogador da seleção brasileira, foi preso pela Polícia Federal em 21 de março devido a um mandado de prisão emitido após o Supremo Tribunal Federal negar seu último recurso. Ele foi condenado na Itália, em 2017, por estupro coletivo ocorrido em 2013, quando jogava pelo Milan. Em uma boate em Milão, Robinho e outros cinco homens foram acusados de abusar sexualmente de uma mulher albanesa de 23 anos. Mesmo após a condenação, ele permaneceu em liberdade no Brasil devido à legislação que impede a extradição de cidadãos brasileiros.


Robinho foi condenado na Itália por estupro coletivo ocorrido em 2013 quando ele jogava no Milan. (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Já Daniel Alves, também ex-jogador da seleção brasileira, foi preso na Espanha em janeiro de 2023, acusado do estupro de uma jovem espanhola. Ele foi condenado pela Justiça espanhola a 4 anos e 6 meses de prisão e cumpre pena em Barcelona. Esses casos não são isolados. Eles refletem uma cultura arraigada de misoginia e impunidade que permeia o mundo do futebol.


O ambiente futebolístico muitas vezes reproduz atitudes machistas, normalizando o assédio e a violência sexual contra mulheres. Ambientes predominantemente masculinos, como os vestiários e concentrações de times, podem incentivar comportamentos de coação e desrespeito às mulheres. Infelizmente, essas atitudes são frequentemente ignoradas ou até mesmo toleradas pela sociedade, criando uma sensação de impunidade para os agressores.


O caso de Robinho é particularmente perturbador, já que evidências revelaram conversas em que ele zombava da situação da vítima. Esse comportamento desprezível reflete uma falta de empatia e respeito básico pelos direitos humanos mais fundamentais.


Daniel Alves foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por estupro e cumpre pena na Espanha. (Foto: Paris Saint-Germain)

É alarmante observar como jogadores de futebol que cometem crimes sexuais muitas vezes conseguem escapar das consequências de seus atos. O ex-jogador e atualmente treinador do Athletico Paranaense, Cuca é outro exemplo de impunidade. Ele foi condenado por estupro de vulnerável em 1987, na Suíça, quando era jogador do Grêmio, mas nunca cumpriu sua pena. Apesar disso, ele continuou sua carreira no futebol sem grandes obstáculos.


A fama e o status de celebridade dos jogadores muitas vezes intimidam as vítimas e dificultam a denúncia dos crimes. O medo do julgamento público e a vergonha pessoal frequentemente impedem as vítimas de buscar justiça, contribuindo para uma cultura de silêncio que perpetua o ciclo de abusos.


Não podemos fechar os olhos para essa realidade sombria. É responsabilidade de todos, desde os dirigentes esportivos até os fãs, combater a cultura do estupro e garantir que os agressores sejam responsabilizados por seus atos. As instituições esportivas devem implementar políticas rigorosas de proteção às mulheres e promover uma cultura de respeito e igualdade de gênero em todos os níveis do esporte.


Enquanto casos como os de Robinho e Daniel Alves continuarem a ocorrer, devemos permanecer vigilantes e exigir mudanças significativas no mundo do futebol. As vítimas merecem justiça e apoio, e cabe a todos nós trabalhar juntos para criar um ambiente seguro e inclusivo para todos os envolvidos no esporte mais popular do mundo.




Roberto Maia é jornalista e cronista esportivo. Iniciou a carreira como repórter esportivo, mas também dedica-se a editoria de turismo, com passagens por jornais como MetroNews, Folha de São Paulo, O Dia, dentre outros.


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