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A bela revista Moda não merece receber informações completamente erradas

Por Fernando Jorge

Crédito: Redação JBA

A revista Moda, do jornal O Estado de S.Paulo, é uma bela revista, na qual brilham a editora-executiva Marilene Ramos, a editora de conteúdo Alice Ferraz, a redatora-chefe Ana Carolina Ralston. No número 20 de setembro de 2022, essa revista publicou uma crônica do senhor Nilton Bonder que me causou espanto, a começar pelo seu título, com berrante erro de português. Eis o título da crônica, onde o erro grita bem alto, tão alto que quebrou a vidraça da minha janela:

“A fé não pode falá”

Agora eu corrijo o erro:

“A fé não pode falar”.

Senhor Nilton Bonder, o correto é falar e não falá... As criancinhas é que se expressam assim:

– Eu quero falá.

Outra coisa, senhor Nilton Bonder, a fé pode falar. Quer exemplos? Leia a Bíblia e veja como São Paulo, repleto de fé, não parava de falar de Jesus Cristo em toda parte. Ele era a fé ambulante, falante. E todos os santos faziam o mesmo, como São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, etc.

A fé fala, senhor Nilton Bonder, ela não é silenciosa, e chega a ser eloquente.

Outra afirmativa absurda do senhor Nilton, colocada no início da sua crônica:

“A fé é o contrário da crença”.

Senhor Nilton, por favor, não solte disparates, a bela revista Moda, do jornal O Estado de S.Paulo, não merece receber informações completamente erradas. A fé não é o contrário da crença, ambas são iguais, possuem o mesmo sentido. Quer uma prova? Abra o Dicionário de sinônimos e antônimos da língua portuguesa, de Francisco Fernandes, lançado pela editora Globo, e leia, na página 451, este verbete:

sin (sinônimo) Crença” ...

Viu, senhor Nilton Bonder? Vai me contestar? Eu o aconselho a ficar quietinho, pois estou fortemente armado com a metralhadora da Cultura.

Mais um erro, um disparate do senhor Bonder, ele afirma, no seu texto, que “a fé não é um substantivo, a fé é um verbo”. Formidável! Todos os gramáticos estão errados ao garantir que a palavra é um substantivo feminino! Meu Deus, quanto absurdo!


Fernando Jorge é jornalista, escritor, dicionarista e enciclopedista brasileiro. Autor de várias obras biográficas e históricas que lhe renderam alguns prêmios como o Prêmio Jabuti de 1962. É autor do livro “Eu amo os dois”, lançado pela Editora Novo Século.

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